Preço do barril por volta de US$ 60 pode trazer a arrecadação da União com os leilões para perto do lance mínimo de R$ 10, 2 bi
O Estado de S. Paulo
O leilão das áreas não contratadas do pré-sal, agendado para 4 de dezembro, apresenta ativos que despertam o interesse das empresas. No entanto, o preço do petróleo, oscilando em torno de US$ 60 por barril, pode trazer a arrecadação da União para perto do lance mínimo de R$ 10, 2 bilhões, de acordo com analistas entrevistados pelo Estadão/Broadcast.
O preço do petróleo acumula queda de cerca de 10% neste ano, principalmente pela perspectiva de aumento na oferta por parte da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e aliados.
Com isso, o valor mínimo das áreas a serem leiloadas, definido pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), ficou bem abaixo dos R$ 14, 78 bilhões estimados no relatório bimestral de receitas e despesas divulgado em setembro pelos Ministérios da Fazenda e do Planejamento.
As jazidas envolvidas na oferta – Mero, Tupi e Atapu – são ativos considerados bons, segundo o analista Vitor Souza, da Genial Investimentos. Foi isso que possibilitou preço mínimo de, pelo menos, R$10 bilhões, a despeito do cenário desafiador para os preços do petróleo.
No leilão, o governo venderá a participação da União nas jazidas compartilhadas de Mero (3, 5%), Atapu (0, 95%) e Tupi (0, 551%). Os três campos são operados pela Petrobras e estão entre os seis maiores produtores do País. A estatal tem como sócias gigantes como Shell, Total, Galp, CNODC e CNOOC.
Souza, porém, aponta que as descobertas comerciais nos campos do pré-sal têm diminuído em comparação com anos anteriores. “Somando isso ao preço do petróleo mais baixo, me pergunto se faz sentido pagar muito acima do piso. ”
“Quando um leilão de petróleo ocorre com o preço da commodity em baixa, a tendência é de que se aproxime do limite inferior da faixa, a menos que os ativos sejam muito especiais, como foi o caso do pré-sal em 2018 e 2019”, ressalta.
O analista Ilan Arbetman, da Ativa Investimentos, explica que é natural haver discrepâncias entre a estimativa do governo e o lance mínimo. “Se a competitividade for alta e tiver ágio, pode ser que chegue próximo à estimativa do governo”, afirma.
Na semana passada, o petróleo WTI, para dezembro, e o Brent, para janeiro, fecharam em alta de 0, 56% e 1, 19% – US$ 60, 09 e US$ 64, 39 o barril, respectivamente.
QUALIDADE. Ele destaca que os ativos de petróleo brasileiros estão atraindo empresas nacionais e internacionais devido à qualidade do óleo, à localização geográfica vantajosa e à segurança regulatória.
Mesmo assim, nem Arbetmannem Souza estima qual será o ágio nesta oferta. “Há leilões com lote vazio, outros com ágio de 10% ou até 1. 000%. Mas as empresas tendem a ser mais comedidas no poder de fogo e mais seletivas atualmente”, diz Souza.
A XP Investimentos projetava arrecadação entre R$ 9, 7 bilhões e R$10, 5 bilhões para o leilão, que, segundo a corretora, tem como detalhe significativo a data efetiva: 1. º de março de 2027. “Isso significa que os vencedores começarão a receber sua parte da produção a partir dessa data”, destaca em relatório.
Além do pagamento pela proposta de preço no leilão, a vencedora estará sujeita a pagamentos adicionais à União, conhecidos como “earn out”.
O primeiro pagamento é em relação à cotação do petróleo Brent (padrão utilizado no Brasil), sempre que a média anual do preço do barril exceder os US$55. O segundo ocorre sempre que uma nova determinação aumentar a parcela de participação do contrato, baseada em um porcentual adicional auferido pela cessionária.
Com o Brent na faixa dos US$ 60 por barril, existe a possibilidade de a empresa precisar pagar earn out à União, reduzindo sua margem.
O terceiro leilão de áreas do pré-sal da oferta permanente da União, ocorrido mais recentemente, em 22 de outubro, foi considerado um sucesso pelos participantes e autoridades, obtendo ágios expressivos. Mesmo assim, vendeu apenas cinco dos sete blocos ofertados.
“Há leilões com lote vazio, outros com ágio de 10% ou até 1. 000%. Mas as empresas tendem a ser mais comedidas no poder de fogo e mais seletivas atualmente”