Frota de veículos eletrificados no Brasil será 44 vezes maior até 2040, sendo 72% híbrida 

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Mesmo com eletrificação, etanol é apontado como o protagonista da descarbonização no país, não só para veículos de passeio como também para aeronaves e navios

 Quatro Rodas Online

O mercado de veículos leves será 44 vezes mais eletrificado até 2040, com os modelos híbridos representando 72% desse total.

O etanol é apontado como vantagem competitiva, com projeção de aumento na demanda em até 2,4 vezes, impulsionado pelo mercado interno e externo.

biometano tem potencial para substituir até 70% do consumo de diesel no transporte pesado, sendo crucial para a descarbonização do setor.

Avanço da mobilidade elétrica no país exigirá investimentos de R$ 25 bilhões até 2040, apenas para a infraestrutura de recarga.

O estudo destaca que o sucesso da transição depende da combinação de inovação tecnológica com políticas públicas consistentes.

Até 2040, a frota circulante de veículos no Brasil será 44 vezes mais eletrificada, com os modelos híbridos representando 72%. É o que diz um levantamento publicado pelo Instituto MBCBrasil, realizado pela LCA Consultores, chamado de “Iniciativas e Desafios Estruturantes para Impulsionar a Mobilidade de Baixo Carbono no Brasil até 2040”. A eletrificação deverá alcançar 17,4 milhões de veículos, o que representará mais de 27,6% do total.

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Baseado no estudo, apesar da eletrificação, o etanol é apontado como o protagonista e sua demanda será ampliada em até 2,4 vezes até 2040. O combustível deverá ser impulsionado tanto pelo mercado interno como pelo externo.

Essa expansão será relevante também na produção de combustíveis sustentáveis de aviação (SAF) e no transporte marítimo, segmentos que podem alcançar em 15 anos um volume equivalente a 80% da demanda total de etanol do Ciclo Otto (veículos leves e outros usos) registrada em 2025. A projeção é de que o etanol substitua o metanol na navegação e que seja utilizado como matéria prima para SAF.

A demanda doméstica do etanol deve passar de 33,6 bilhões de litros em 2025 para 72,5 bilhões de litros em 2040, com 52,2% destinado ao Ciclo Otto, 17,9% SAF e 2,4% marítimo.

A oferta do combustível será escalada com o aumento da produtividade da cana-de-açúcar e pela expansão do etanol de milho. Para suportar esse crescimento, a expectativa é que haja avanços genéticos e biotecnológicos capazes de dobrar a produtividade da cana-de-açúcar de 74 toneladas para 148 toneladas até 2040. O etanol de milho deve saltar de 7,6 bilhões de litros em 2024 para cerca de até 25 bilhões no mesmo período de tempo.

Biometano

biometano será outro personagem para a descarbonização nacional. Produzido a partir de resíduos agroindustriais, o combustível tem potencial para substituir até 70% do consumo de diesel no transporte pesado até 2040. O aproveitamento do potencial estimado de produção pode chegar a 120 milhões de metros cúbicos por dia.

Atualmente, apesar de os caminhões a combustão interna ainda representarem 85% da frota, o estudo aponta o crescimento expressivo de alternativas como o biometano e os veículos elétricos a bateria, que juntos devem somar 15% da frota até 2040. A descarbonização desse segmento ocorrerá por meio de múltiplas soluções.

Para a frota majoritária movida a diesel, por sua vez, a política de biocombustíveis deve adotar a B20 no cenário base e B25 no cenário alternativo, ou seja, 20% e 25% de biodiesel no diesel, respectivamente.

Investimentos na mobilidade elétrica

Atualmente com 16.880 eletropostos, sendo 13.025 de carga lenta (77,2%) e 3.855 de carga rápida (22,8%), o levantamento aponta que o avanço da mobilidade elétrica no Brasil vai exigir investimentos de R$ 25 bilhões até 2040 para esse tipo de infraestrutura. A estimativa é que o país dependa de 825.170 eletropostos, ou 807 mil a mais.

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Para o Instituto MBCBrasil, o sucesso da mobilidade de baixo carbono no país depende da inovação tecnológica, assim como de políticas públicas coordenadas. “O Brasil tem condições únicas para liderar uma transição energética eficiente e inclusiva, capaz de unir crescimento econômico e sustentabilidade. O avanço das novas tecnologias e o fortalecimento dos biocombustíveis mostram que é possível reduzir emissões e, ao mesmo tempo, ampliar oportunidades de desenvolvimento”, afirma José Eduardo Luzzi, presidente da organização.

Metodologia

O levantamento entrevistou 21 empresas do setor: Tupy, Be8, BNDES, Copersucar, Unica, USP/IEA Bioenergy, Abiogás, Sindipeças, Siamig e Bioenergia Brasil, Weg, SAE, Aprobio, TBG, Scania, Abimaq, John Deere, ABCR, Toyota, Ultragaz, TAG Gasodutos e CTC.

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