Jornal O Estado de S. Paulo
Após constatar risco de incêndio, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) decidiu, ontem, interditar totalmente a Refit (ex-Refinaria de Manguinhos), localizada no Rio de Janeiro. A unidade já estava parcialmente interditada desde outubro e agora terá de retirar todo o material inflamável que permanece estocado no local.
Em vistoria realizada no último dia 14, segundo documento ao qual o Estadão/Broadcast teve acesso, foram identificadas pelo menos seis situações de risco grave relacionadas a falhas nas barreiras preventivas e mitigadoras.
“Cabe destacar que falhas em apenas uma dessas barreiras críticas podem levar a uma situação de Risco Grave Iminente (RGI), devido à alta probabilidade de fatalidade, não sendo necessário que várias barreiras estejam ausentes ou degradadas para que se configure uma situação de RGI. No caso da Refinaria de Manguinhos, existem falhas substanciais em diversas barreiras”, afirma o documento da ANP.
PF E RECEITA. A Refit entrou no radar das autoridades após a deflagração da Operação Carbono Oculto, em agosto do ano passado, que investigou se o combustível da empresa abastecia redes de postos de gasolina controladas pelo Primeiro Comando da Capital (PCC).
A Receita também apura se a refinaria sonegou impostos ao importar nafta e outros derivados de petróleo para a produção de gasolina sem o recolhimento adequado de tributos, além do uso de empresas de fachada para ocultar os reais importadores do combustível – prática considerada criminosa.
Em uma segunda fase das investigações, a Receita deflagrou a Operação Cadeia de Carbono, que resultou na apreensão de quatro navios carregados com combustíveis da Refit.
O grupo Refit, controlado pelo empresário Ricardo Magro, é apontado como o maior devedor de ICMS do Estado de São
Paulo, o segundo maior do Rio e um dos maiores devedores de tributos federais. A empresa diz que contestou os débitos tributários e negou a existência de irregularidades.
Na mira Grupo Refit é investigado pela Polícia Federal e pela Receita por suspeita de crimes e sonegação