EIXOS
Em meio às pressões dos EUA e da Rússia, a Índia ampliou a compra de petróleo bruto do Brasil nos últimos dois meses.
Segundo dados da balança comercial divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, em dezembro de 2025 o país asiático ultrapassou os EUA e foi o segundo maior comprador de petróleo do Brasil, atrás apenas da China.
- Em janeiro de 2026, a tendência se manteve.
- Como comparação, em novembro de 2025 a Índia ficou em 14º lugar no ranking das exportações brasileiras.
- Na média do ano passado, foi o sétimo principal destino da produção nacional, com a negociação total de 4,3 milhões de toneladas.
A movimentação ocorre num momento de reconfiguração das alianças globais, sob influência da mudança na política externa dos Estados Unidos.
- O governo de Donald Trump vem pressionando o líder indiano, Narendra Modi, a reduzir as importações de petróleo da Rússia.
- Na semana passada, Trump anunciou um acordo para reduzir as tarifas sobre produtos indianos de 50% para 18%, em troca da promessa de a Índia interromper a compra de óleo russo (CNN Brasil).
- País mais populoso do mundo, a Índia é um importante consumidor de petróleo, com uma demanda de cerca de 5 milhões de barris/dia.
E é nesse contexto que o presidente Lula (PT) visita a Índia, entre os dias 17 e 21 de fevereiro.
- Os dois países fazem parte dos BRICS e vêm buscando manter uma posição de independência no cenário internacional.
- A estratégia de Nova Délhi é semelhante à que Lula tem buscado perseguir: negociar com Trump, sem deixar de lado outros parceiros comerciais, como China e Rússia.
- No mercado, a expectativa sobre o encontro entre Lula e Modi é grande: executivos veem potencial para uma maior entrada de produtos brasileiros no mercado indiano, inclusive no agronegócio.
O estreitamento da colaboração entre Brasil e Índia no mercado de petróleo começou a ser desenhado em 2025, quando a Petrobras assinou um contrato com a estatal indiana Bharat Petroleum Corporation Limited (BPCL) para exportação de até 6 milhões de barris de petróleo por ano.
- Em janeiro, o acordo foi ampliado e renovado: agora, além do acordo com a BPLC, a Petrobras tem contrato até março de 2027 para venda de petróleo também para a Indian Oil Corporation Limited (IOC) e a Hindustan Petroleum Corporation Limited (HPCL).
- Os acordos representam um potencial de venda de até 60 milhões de barris, com valor total que pode superar US$ 3,1 bilhões.
Mas a aproximação não se restringe à Petrobras: no ano passado, executivos do Porto do Açu também foram à Índia com o objetivo de estreitar relações e abrir espaço para novos volumes.
- “É uma nova fronteira que se está abrindo. A gente acredita que vai render bons frutos para o Brasil”, disse em dezembro a jornalistas Rogério Zampronha, CEO da Prumo Logística, controladora do porto.