O novo mapeamento da Polícia Civil aponta que o PCC opera hoje com estrutura semelhante à de uma corporação internacional
Metrópoles

Pela primeira vez, um empresário do setor de combustíveis aparece oficialmente listado entre os cerca de 100 nomes que integram o novo organograma do Primeiro Comando da Capital (PCC), elaborado pelo Departamento de Inteligência Policial (Dipol) da Polícia Civil de São Paulo.
O nome de Mohamad Hussein Mourad, também conhecido como “Primo”, surge ao lado de traficantes, assaltantes de banco e homicidas que compõem as lideranças da maior facção criminosa do país, encabeçada por Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, atualmente preso na Penitenciária Federal de Brasília.
O novo mapeamento da Polícia Civil aponta que o PCC opera hoje com estrutura semelhante à de uma corporação com setores financeiros, braço digital, corregedoria interna, núcleo internacional e agora, segundo a polícia, associados com perfil empresarial.Play Video
Mohamad Hussein Mourad é apontado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) como o “epicentro” de um esquema bilionário de fraudes e lavagem de dinheiro no ramo de combustíveis, com operações que, segundo as investigações, superam R$ 8,4 bilhões.
Ele foi um dos principais alvos da Operação Carbono Oculto, deflagrada para apurar irregularidades que envolvem desde fraudes tributárias e estelionato até ocultação e dissimulação de patrimônio.
De acordo com o MPSP, Mourad atua em praticamente toda a cadeia produtiva do setor: da origem da matéria-prima, passando por distribuição, transporte, refino, armazenagem e chegando à ponta final, com redes de postos e lojas de conveniência.
Embora se apresente publicamente como dono da empresa de transportes G8 Log, as investigações indicam que a companhia seria uma empresa de fachada, utilizada para ocultar patrimônio e blindar uma frota de veículos usada na movimentação de ativos.
Além disso, familiares do empresário figuram como sócios de terminais de armazenamento, postos de combustíveis e empresas que utilizam fundos de investimento imobiliário para pulverizar e dissimular recursos.
Esta não é a primeira vez que Mourad entra no radar das autoridades. Antes da Carbono Oculto, ele já havia sido alvo da Operação Cassiopeia e da Operação Arina. Ambas envolvendo as empresas Copape e Aster.
A Copape é apontada como uma das maiores empresas de postos de combustível “bandeira branca” do país. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) chegou a interditar a empresa sob suspeita de envolvimento com o PCC e, posteriormente, por fraudes na cadeia produtiva.
Mourad chegou a publicar um vídeo no LinkedIn se apresentando como “consultor” da Copape. Na gravação, afirmou ser vítima de uma “guerra de concorrentes” e negou qualquer vínculo com organização criminosa.
Segundo ele, as denúncias teriam sido estimuladas por empresários rivais do setor.