O destino do combustível da Refit, a Avenida Brasil e o Inea

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O Globo – Coluna Capital

Inteiramente interditada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) por risco de acidentes, a Refit recebeu o respaldo dos técnicos do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) para não esvaziar seus tanques, como exige a agência federal. Manifestação do órgão ambiental do Rio avaliou que “a transferência do produto por modal rodoviário apresenta riscos operacionais e ambientais significativamente superiores ao armazenamento em tanques já licenciados por este órgão”.

O documento, ao qual a coluna teve acesso, foi assinado pela diretora de Licenciamento Ambiental do Inea, Juliana Lucia Ávila, e respondeu a ofício da própria Refit, que pedia orientação quanto ao “atendimento das determinações da ANP para desmobilização e destinação de produtos armazenados no parque de tancagem”. O presidente do Inea, Renato Jordão Bussiere, reafirmou a avaliação da área técnica em ofício ao comando da Refit.


“Destaca-se que o trajeto utilizado envolve a Avenida Brasil, uma das mais importantes e movimentadas vias da cidade do Rio de Janeiro, caracterizada por intenso fluxo de veículos, elevada densidade populacional em seu entorno e significativa circulação de transporte coletivo, o que amplia consideravelmente a exposição de pessoas a eventuais cenários acidentais”, justificou a diretora do Inea.

‘Técnico’
A coluna procurou o Inea a respeito da avaliação. Por meio da assessoria de imprensa, o órgão disse que a manifestação teve “caráter estritamente técnico, elaborada em resposta à consulta formal da Refinaria de Manguinhos, no exercício regular de suas atribuições”.

“O documento apresenta análise comparativa de cenários operacionais e conclui que a intensificação do transporte rodoviário de combustíveis em áreas urbanas aumenta significativamente os riscos à população, ao meio ambiente e à segurança viária, especialmente em corredores como a Avenida Brasil, quando comparada ao armazenamento em tanques licenciados e submetidos a controle ambiental contínuo”, disse o órgão, acrescentando:

“A conclusão está fundamentada em estudos de análise de risco aprovados no processo de licenciamento ambiental, avaliados em 2019 e 2024, que classificaram o risco do parque de tancagem como tolerável. Destaca-se ainda que, desde 2019, o Inea estabeleceu a meta de redução do transporte por caminhões-tanque, tendo sido comprovado o cumprimento da redução de 40% no volume transportado.”

Procurada sobre o destino do conteúdo dos tanques da Refit, a ANP não respondeu até a publicação deste texto.

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