Jornal Folha de S. Paulo
Por falta de acordo, a britânica Shell e a Cosan encerraram negociações sobre a capitalização da Raízen, gigante que atua nos setores de distribuição de combustíveis e produção de etanol e vive crise financeira.
A Folha apurou que as duas partes não se entenderam sobre a melhor solução para salvar a companhia. A Shell pretende prosseguir com negociações com credores para injetar capital, sob resistência da sócia.
Com dívida de R$ 55 bilhões, a Raízen precisa de socorro para evitar a recuperação judicial. O caso é acompanhado de perto pelo governo, que não tem interesse em ver quebrar a terceira maior distribuidora de combustíveis do país, com cerca de 9. 000 postos e 40 mil empregados.
Na terça (3), O presidente da Shell no Brasil, Cristiano Pinto da Costa, disse que tem orçamento de R$ 3, 5 bilhões para capitalizar a distribuidora, mas não o fariasem aporte equivalente de sua sócia. Ambas têm 44% do capital.
A Cosan, porém, já havia dito à Shell que não tem esse dinheiro e buscava solução no mercado. As empresas chegaram a negociar detalhes de uma proposta coordenada pelo BTG, que previa injeção de R$1 bilhão da Cosan e R$ 500 milhões de seu controlador, Rubens Ometto.
A proposta previa a cisão da Raízen em duas empresas, uma de distribuição de combustíveis e outra de produção de açúcar e etanol, setor em que os bancos credores não têm tanto interesse em atuar. Pinto da Costa disse na terça que a Shell não concorda com a cisão.
A Raízen é o maior ativo do conglomerado de Rubens Ometto e, por muito tempo, garantiu os recursos para a expansão do grupo.
No quarto trimestre de 2024 (terceiro trimestre do ano fiscal da empresa), a empresa teve prejuízo de R$ 15, 6 bilhões, seis vezes maior do que no mesmo período de 2023.
As ações da Raízen caíram 13, 04%, a R$ 0, 60, nesta quarta. Nem Shell nem Cosan comentaram o assunto.
13, 04% foi quanto as ações da Raízen cairam nesta quarta-feira; papel terminou o dia valendo R$ 0, 60