Raízen anuncia injeção de capital de R$ 4 bi, a maior parte pela Shell

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Rubens Ometto, acionista controlador da Cosan, deve entrar com R$ 500 milhões. Ações da empresa sofrem tombo de 13%

 Jornal O Globo

Raízen confirmou ontem, em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM, o órgão regulador do mercado de capitais), que discute proposta de “solução abrangente e definitiva” com uma “contribuição de capital no montante de R$ 4 bilhões”. Desse total, R$ 3, 5 bilhões virão do Grupo Shell, e R$ 500 milhões, de um veículo controlado pela Aguassanta Investimentos, da família de Rubens Ometto, acionista controlador da Cosan – que divide com a Shell o controle da Raízen.

Também será feita a reestruturação do atual endividamento financeiro da empresa. Segundo o comunicado, isso poderá incluir “a conversão de parte do endividamento em capital, combinada com o alongamento do saldo remanescente da dívida; e a continuidade do processo de simplificação dos negócios” da Raízen, com a venda de ativos não estratégicos.

No comunicado, a Raízen ressalta que “continuará operando normalmente”, sem impacto para clientes, fornecedores, revendedores e outros parceiros. Mas a empresa não descarta ter de recorrer a uma recuperação extrajudicial, “se necessária”.

O fato relevante foi divulgado à noite, depois do fechamento do mercado. No pregão, as ações da Raízen encerraram com um tombo de 13, 04%, a R$ 0, 60. À companhia, líder na produção de etanol de cana e na exportação de açúcar, viu seu valor de mercado recuar 7, 03%, de R$ 6, 68 bilhões para R$ 6, 21 bilhões.

PRESSÃO DE CREDORES

Shell e Cosan vinham negociando um plano conjunto para injetar recursos na Raízen. No entanto, pessoas familiarizadas com o assunto disseram à agência de notícias Bloomberg que a Cosan concluiu que não seria capaz de igualar a escalado apoio financeiro que a Shell havia prometido à Raízen, enquanto outras propostas apresentadas pela Cosan foram rejeitadas pela multinacional.

Shell havia anunciado na terça-feira que iria injetar R$3, 5 bilhões em capital novo na Raízen.

Fundos de private equity administrados pelo Banco BTG Pactual, também envolvidos nas negociações, discordaram de vários termos propostos pela Shell e decidiram não injetar dinheiro na Raízen, disse outra fonte.

Raízen busca um aporte de capital após enfrentar dificuldades devido a uma combinação de altas taxas de juros, safras fracas e investimentos malsucedidos. Seus títulos de dívida despencaram e sua classificação de risco de crédito foi rebaixada.

Credores têm pressionado a Shell e a Cosan para injetarem até R$ 12 bilhões na Raízen, argumentando que são empresas lucrativas com caixa suficiente para contribuir com mais do que estão oferecendo, conforme relatado anteriormente pela Bloomberg. Alguns credores argumentam que a Raízen precisa de cerca de R$ 25 bilhões em capital.

Fontes apontam que uma recuperação judicial da Raízen também poderia prejudicar a Cosan. O conglomerado de Ometto ainda busca administrar sua situação financeira após aceitar uma injeção de capital dos sócios do BTG no fim do ano passado, mas seu nível de endividamento permanece desafiador. Sua exposição à Raízen poderia mergulhar a empresa novamente em crise, disse uma das fontes.

SHELLNÃO QUER DIVISÃO

O BTG Pactual investiu R$4, 5 bilhões na Cosan em 2025. Embora Ometto mantenha o controle dos direitos de voto, com uma participação de 50, 01% por meio da Aguassanta, os sócios do BTG se tornaram os maiores acionistas econômicos, com quase 25%.

Os fundos de private equity do BTG não conseguiram chegar a um acordo com a Shell sobre as mudanças propostas por esta em relação à duração do contrato de royalties pelo uso da marca da petrolífera global, bem como ao valor dos pagamentos desses royalties, disse uma das fontes.

Também não houve consenso sobre o tamanho da conversão da dívida em capital por parte dos credores esobreo nível de redução da alavancagem necessário, disse essa fonte. Tampouco houve consenso sobre o que fazer com os passivos fiscais da Raízen, acrescentou.

Shell também se opôs a um plano dos fundos do BTG para uma reestruturação que incluiria uma reorganização corporativa imediata, separando a Raízen Energia, empresa focada na produção de açúcar e etanol, da unidade de distribuição de combustíveis, na qual os fundos do BTG investiriam.

O presidente da Shell no Brasil, Cristiano Pinto da Costa, afirmou na terça-feira que a Shell não se opõe a uma reestruturação mais ampla, que poderia envolver a divisão do negócio. Mas ressaltou que, dada a interdependência das duas áreas e a complexidade da dívida da Raízen, a solução ideal seria primeiro tentar recapitalizar a empresa: – Essa é a visão da Shell e dos principais credores. Se fizermos isso com a empresa ainda instável, o risco de implementar essa estratégia pode ser muito alto. (Colaborou Roberto Malfacini Jr. )

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