A TARDE
Com alta de R$ 0,80 prevista para esta quarta, 4, preço médio em Salvador deve romper barreira dos R$ 7
O futuro dos combustíveis no Brasil ainda é incerto diante da guerra
Os efeitos da guerra no Irã no mercado de petróleo acendeu alerta vermelho sobre o futuro dos preços dos combustíveis na Bahia. A partir desta quarta-feira (4), portanto, é esperado que o preço da gasolina e do diesel disparem nas distribuidoras em uma alta acima de R$ 0,80.
Atualmente, o preço médio da gasolina em Salvador gira em torno de R$ 6,34, enquanto o diesel S10 é comercializado na casa dos R$ 6,09. Com os novos ajustes previstos, a gasolina deve romper a barreira histórica e passar de R$ 7,00 nos postos da capital baiana, enquanto o diesel pode chegar a R$ 6,89.
Fontes ouvidas pelo Portal A TARDE apontam que a Acelen, empresa de energia criada pelo fundo Mubadala Capital e que detém da gestão da Refinaria de Mataripe desde 2021, deve repassar uma alta de R$ 0,50 às distribuidoras baianas em meio aos conflitos entre países produtores de petróleo.
Esse valor deve ser somado à alta de R$ 0,30 do diesel, que foi aplicada desde terça-feira, 3. De acordo com Walter Tannus, presidente do Sindicato do Comércio de Combustíveis, Energias Alternativas e Lojas de Conveniências do Estado da Bahia (Sindicombustíveis Bahia), os conflitos já começam a respingar de forma negativa para os baianos.
“Tenho certeza que isso vai impactar de uma maneira negativa em toda a população do Brasil. De imediato, a Acelen, que vinha dando um desconto de aproximadamente 30 centavos no preço do diesel, retirou essa redução desde ontem, agora deve aumentar o preço dos combustíveis com repasse de R$ 0,55 a R$ 0,60 às distribuidoras, segundo estimativas de empresas que acompanham o mercado internacional do barril do petróleo”, explicou ele.
Com a gasolina passando dos R$ 7,00, o custo por quilômetro rodado terá um salto significativo. Para ajudar o consumidor a planejar o orçamento, o Portal A TARDE realizou uma simulação de custo para percorrer 100 km (distância média aproximada entre Salvador e Alagoinhas):
A precificação da gasolina e do diesel no estado baiano é controlada pelas decisões da Acelen, e são influenciadas pelos critérios do mercado cambial. São consideradas para o estabelecimento do preço, variáveis como custo do petróleo, que é adquirido a preços internacionais, dólar e frete. Isso faz com que o preço possa ir para cima ou para baixo.
Nesta quarta-feira, 4, o dólar começou a operar em queda após dias consecutivos de alta. A moeda norte-americana recuava 0,93%, cotada a R$ 5,22 até às 14h. Na véspera, o pregão encerrou em alta e registrou uma subida de 1,92%, com dólar cotado a R$ 5,269.
Essa também é uma preocupação de especialistas em meio ao aumento do dólar e do preço do petróleo.
“Nós teremos dois aumentos em um espaço de menos de 1 semana do início da guerra, o impacto já é bastante significativo, além de que pode vir acompanhado dos aumentos de outros produtos, como alimentos, já que o Brasil usa basicamente a sua malha rodoviária para fazer o transporte desses produtos. Nós vamos ficar vivendo de sobressaltos”, continuou Tannus.
Em uma semana, o tráfego de petroleiros que atravessam o Estreito de Ormuz caiu 90%, de acordo com a empresa de análises Kpler ao AFP. Isso intensifica ainda mais o cenário do mercado petrolífero sobre o Brasil.
De acordo com Evaristo Pinheiro, presidente da RefinaBrasil, entidade que responde pelas refinarias privadas do país, essas restrições elevam ainda mais o risco de redução da oferta global, principalmente para o Brasil, que já possui paradas relevantes de manutenção programadas para os próximos meses, o que desacelera a oferta doméstica.
“No mercado doméstico, o cenário se torna ainda mais desafiador. Esse fator agrava uma fragilidade estrutural já conhecida: o Brasil não é autossuficiente em derivados, especialmente em diesel, e depende de importações para atender à demanda”, apontou ele ao Portal A TARDE.
Ainda de acordo com Pinheiro, o cenário em curto prazo deve ser marcado por um Brasil “exposto e vulnerável”, devido a atratividade econômica do suprimento externo e aumento da dependência da produção doméstica justamente em um momento de menor disponibilidade operacional.
“Diante desse cenário, torna-se fundamental garantir previsibilidade regulatória, alinhamento de preços à realidade internacional e condições competitivas para que o refino privado e os importadores possam atuar como instrumentos essenciais de segurança energética nacional”, finalizou o presidente.
Como apurou o Portal A TARDE, o aumento da gasolina pode ter efeitos inflacionários tanto na Bahia, que ainda usa meios viários para o transporte agrícolas para commodities. Ou seja, o uso dos combustíveis, principalmente o diesel é essencial.
Em um curto prazo, de acordo com especialistas, os combustíveis devem sentir nesse primeiro momento um aumento significativo, acompanhado da alta do petróleo, por serem produtos derivados do líquido natural.
O preço do petróleo internacional é multiplicado pelo câmbio, que é definido pela variação do dólar. Quando os dois estão em alta, isso pressiona para que esse preço chegue ao consumidor
“No caso da Bahia que depende fortemente de transporte rodoviário, a elevação no preço dos combustíveis, provocará aumento no preço das passagens, custo do frete interno, e encarecimento na distribuição de alimentos. A inflação deverá se refletir no aumento do gás de cozinha, alimentos básicos, e consequente um maior comprometimento do orçamento das famílias”, apontou a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI) ao Portal A TARDE.