Preço do petróleo ultrapassa os US$ 85 e defasagem dos combustíveis bate maior nível em anos

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O conflito no Oriente Médio levou o barril de petróleo tipo Brent a ultrapassar novamente a barreira dos US$ 85 na quinta-feira (05/3).

O aumento reflete não apenas a escalada militar, mas também a alta nos custos do frete marítimo e os desafios que o mercado enxerga para o suprimento global à frente.

  • A interrupção da navegação no Estreito de Ormuz levou as taxas médias de afretamento para superpetroleiros (VLCCs) às máximas históricas, estima a Moody’s.

Apesar de não haver indicação direta de dificuldades de chegada ou saída de petróleo e derivados do Brasil, cresce a pressão do setor sobre a Petrobras para reajustar os preços dos combustíveis no país de acordo com a nova realidade internacional. 

  • Na véspera, os preços bateram a maior defasagem em anos, com uma diferença de R$ 1,51 (47%) no litro do diesel e de R$ 0,47 (19%) na gasolina, segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom). 
  • “O acompanhamento dos preços dos combustíveis no mercado nacional aos preços do mercado internacional é recomendável para mitigar riscos de desabastecimento e desalinhamento dos fluxos logísticos existentes na cadeia de suprimentos”, afirmou a associação em nota.
  • A Abicom ressalta que os consumidores acabam expostos a diferentes níveis de preços do óleo diesel e da gasolina no país. As regiões Norte, Nordeste, Centro Oeste e Sul (via Paranaguá) são mais dependentes das refinarias privadas e de produtos importados.

Pelo lado dos grandes distribuidores, ainda não há sinal de alerta. A Ipiranga acredita que a atual situação pode reduzir o suprimento especulativo e favorecer as empresas que são fornecedoras estruturais do mercado brasileiro. (Valor Econômico)

  • No entanto, os postos de combustíveis já estão sentindo uma elevação de preços por parte das distribuidoras, segundo a Fecombustíveis. 
  • “As distribuidoras vêm elevando os preços de fornecimento aos postos de combustíveis, possivelmente em razão do aumento dos custos de aquisição nas etapas de refino (especialmente junto às refinarias privadas) e de importação”, afirma a federação. 

Vale ressaltar que em períodos anteriores de congelamentos de preços pela Petrobras o Brasil não registrou desabastecimento. No entanto, a demora em repassar os preços externos tem um impacto direto no balanço financeiro da estatal. 

  • Como consequência, há também reflexos no pagamento de dividendos à União e aos acionistas minoritários. 
  • As ações já começaram a sentir esses possíveis desdobramentos. Ao contrário dos papeis de outras petroleiras brasileiras, que acompanham a alta do barril, as ações da estatal operaram em queda na quinta (5/3). (Exame)
  • A diretoria da Petrobras comenta nesta sexta (6) com analistas e a imprensa os resultados financeiros de 2025 e tende a ser questionada sobre o posicionamento atual. 

A União, inclusive, confirmou que pretende seguir com a atual estratégia na condução da petroleira, com a indicação dos nomes para a eleição do conselho de administração em abril. Leia no site:Apenas uma trocaGoverno confirma continuidade com indicações para o conselho de administração da Petrobras

Por enquanto, parte do governo brasileiro tem adotado o discurso de que o cenário pode favorecer a balança comercial do país, já que o petróleo foi o principal item da pauta de exportação nos últimos dois anos. (Agência Brasil)

  • Segundo o BTG Pactual, o atual patamar do barril também ajuda a diminuir o déficit primário (CNN Brasil)

Impacto também nos EUA. O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de Richmond, Tom Barkin, afirmou que ainda não tem clareza sobre os impactos econômicos da guerra envolvendo o Irã, mas destacou que choques nos preços de energia podem afetar a inflação e o comportamento do consumidor nos Estados Unidos.

  • “Os preços da gasolina ainda importam para o sentimento e podem deslocar outros tipos de consumo”, afirmou. 

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