Brasil 247
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou nesta sexta-feira (6) que a companhia não tem planos de adquirir empresas do setor de distribuição de combustíveis, como Raízen ou Ipiranga. Segundo a executiva, a estatal está impedida de atuar nesse mercado até 2029 em razão de um acordo de não competição firmado no processo de privatização da antiga BR Distribuidora.<br /><br />O compromisso foi estabelecido no contexto da venda da distribuidora, concluída em julho de 2021, e impede a Petrobras de disputar diretamente o mercado de distribuição de combustíveis durante esse período. Chambriard destacou que, por causa dessa cláusula, qualquer especulação sobre possíveis aquisições no setor não tem fundamento.<br /><br />A executiva foi enfática ao abordar o tema e descartou a possibilidade de negociações antes do prazo estabelecido. “Qualquer coisa relativa a distribuição de combustíveis [antes de 2029] é inócua, inexiste. Tem que inexistir [qualquer negociação antes desse prazo]”, afirmou.<br /><br />Nos últimos dias, surgiram especulações no mercado após discussões envolvendo a situação financeira da Raízen. A empresa, controlada por Shell e Cosan, enfrenta dificuldades decorrentes do elevado endividamento e busca alternativas para reorganizar suas finanças.<br /><br />Entre as possibilidades em análise está a realização de novos aportes de capital pelos acionistas. Também foi mencionada a hipótese de uma reestruturação societária no futuro, com a separação das operações da companhia em duas estruturas distintas: uma focada no negócio de etanol e outra dedicada à distribuição de combustíveis.<br /><br />Esse cenário alimentou rumores sobre eventual interesse da Petrobras em ativos de distribuição. No entanto, Chambriard reiterou que qualquer retorno da estatal a esse segmento só poderá ser avaliado após o fim do acordo vigente com a Vibra Energia.<br /><br />O plano estratégico da Petrobras para o período 2026-2030 prevê a possibilidade de reentrada no mercado de distribuição apenas depois do término da cláusula de não competição. O mesmo acordo também regula o uso da marca BR pela Vibra nos postos de combustíveis.<br /><br />Situação da Braskem gera preocupação<br /><br />Durante a coletiva, Chambriard também comentou a situação financeira da Braskem, empresa petroquímica da qual a Petrobras é acionista relevante. De acordo com a executiva, o cenário atual da companhia é considerado delicado.<br /><br />Apesar das dificuldades, ela afirmou que a Petrobras identifica oportunidades de melhoria operacional e de geração de sinergias entre as duas empresas. A executiva destacou ainda a importância estratégica da petroquímica no mercado global.<br /><br />A Braskem é atualmente a sexta maior petroquímica do mundo, e a expectativa da Petrobras é contribuir para fortalecer o desempenho da companhia no longo prazo.<br /><br />Chambriard afirmou que gostaria de avançar rapidamente na definição de soluções para a empresa e tornar a Braskem “o melhor ativo possível”. Entretanto, qualquer movimento depende da análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre o acordo firmado entre a Novonor, acionista majoritária da petroquímica, e o fundo de investimento IG4.<br /><br />Somente após a decisão do órgão regulador será possível avaliar eventuais medidas voltadas ao aprimoramento da operação da companhia.