Petrobras deveria elevar gasolina em R$ 1,22 por litro, diz associação

Petrobras nega pedidos extras de diesel a distribuidoras em meio a defasagem recorde
10/03/2026
Defasagem do preço do diesel chega a 85%; na gasolina, a 49%
10/03/2026
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UOL

Os desdobramentos do conflito no Oriente Médio fizeram o preço do barril de petróleo superar US$ 100 pela primeira vez desde 2022. O salto eleva a defasagem entre os preços dos combustíveis no Brasil e a cotação internacional em um cenário que exigiria um aumento de R$ 1,22 por litro de gasolina nas refinarias comandadas pela Petrobras, conforme avaliação da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis).

O cenário de manutenção dos preços é benéfico aos consumidores, que não sentem os reajustes nas bombas, nem na inflação provocada pelo aumento do custo do frete. No caso da Petrobras, a defasagem impede lucros mais robustos e abre espaço para queixas dos importadores do combustível.

O que aconteceu

Preço do petróleo dispara e aumenta a defasagem sobre o valor dos combustíveis. Desde o ataque coordenado por Estados Unidos e Israel contra o Irã, o valor do barril de Brent, referência internacional do combustível, saltou 49,3%, de US$ 72,48 para US$ 108,23.

Alta exige reajustes da gasolina e do diesel nas refinarias da Petrobras, diz associação. Segundo a Abicom, a diferença atual indica necessidade de reajuste de R$ 1,22 na gasolina (defasagem de 49%) e de R$ 2,74 no diesel (85%). Os eventuais reajustes dependem do veredito da Petrobras.

Cálculos comparam preços das refinarias com o PPI (Preço de Paridade de Importação). Para chegar à necessidade de reajuste em relação aos preços praticados pela Petrobras, a Abicom considera a variação do barril de petróleo no mercado internacional, assim como a cotação do dólar, que acumula alta de 2,14% desde o início do conflito no Oriente Médio.

Não sei o que a Petrobras vai fazer, mas já deveria ter repassado parte dessa parcela, em linha com o que foi anunciado por outras petroleiras do mundo.Adriano Pires, diretor do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura)

Petrobras diz monitorar cenário antes de definir reajustes. A presidente da estatal, Magda Chambriard, disse na última sexta-feira que a empresa ainda não decidiu sobre os aumentos. “Nesse momento, essa questão ainda não está respondida”, afirmou durante coletiva sobre o desempenho de 2025 da petroleira.

Se essa volatilidade for tão grande assim, certamente, ela vai exigir respostas mais rápidas que exigiriam se a alta fosse mais lenta. Mas, neste momento, não temos sequer essa premissa.Magda Chambriard

Reajustes serão inevitáveis com a manutenção da alta do petróleo. Vitor Sousa, analista da Genial Investimentos, afirma que o salto do combustível ainda não prejudica o estoque nacional, mas exigirá uma atitude da Petrobras após um mês de defasagem com o mercado internacional, devido ao fluxo de importações.

O preço do petróleo a US$ 100 por uma semana não muda nada, mas se isso se prolongar por mais tempo, a questão começa a preocupar. Por enquanto, ninguém está reclamando.Vitor Sousa, analista da Genial Investimentos

Paridade da gasolina apresentava estabilidade desde a redução de 5,2% dos preços em janeiro. Os dados da Abicom apontavam que o valor do combustível era condizente com a cotação internacional do petróleo até o início da ofensiva no Oriente Médio.

Em janeiro, a queda coincidiu com a queda de preço do petróleo. Na ocasião, a Petrobras levou em conta o recuo de quase 20% do Brent no acumulado de 2025. O recuo fez o combustível ser cotado a US$ 60,85 ao final do ano passado e levou a defasagem da paridade a R$ 0,20.

A atual política de reajuste da Petrobras passou a valer em maio de 2023. A mudança abandonou a paridade internacional como principal motivadora para a definição dos preços da gasolina e do diesel. O modelo anterior havia sido instituído em 2016 e permitia alterações diárias.

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