
G1
Uma quadrilha foi presa, na madrugada deste sábado (6), suspeita de furtar combustível de um oleoduto da Transpetro, subsidiária da Petrobras em Ceilândia, no Distrito Federal. Segundo as investigações, o desvio chegou a 100 mil litros entre segunda-feira (1°) e sexta (5).
Foram quatro pessoas presas. Uma delas foi liberada porque não foi constatado o envolvimento no caso. A Polícia Civil não informou as identidades dos suspeitos.
Segundo as investigações, os criminosos escavaram um túnel, dentro de uma loja que eles alugaram, até alcançar o oleoduto (veja vídeo acima).
Eles perfuraram a tubulação, soldaram uma válvula de controle e instalaram uma mangueira de alta pressão, que levava o combustível diretamente para o interior do imóvel.
Em nota, a Transpetro disse que acompanha o caso com as autoridades e que não há impacto ao fornecimento de combustível para a região (veja íntegra no final da reportagem). A Petrobras não se manifestou.
Os suspeitos foram autuados por furto qualificado, associação criminosa, crime ambiental e por expor a população a perigo. A Polícia Civil informou que, durante o interrogatório inicial, os presos optaram por permanecer em silêncio até a presença dos advogados.
As investigações começaram após denúncias da Transpetro sobre possíveis perdas de combustível no sistema. Moradores da região também relataram movimentações suspeitas na loja alugada pelos suspeitos, além do forte odor de gasolina.
Após dias de monitoramento, policiais da 19ª Delegacia flagraram três suspeitos entrando na loja e descobriram uma complexa estrutura para retirada clandestina de combustível.
De acordo com a Polícia Civil, a ação exigia conhecimento técnico especializado, já que qualquer erro durante a intervenção poderia provocar uma explosão de grandes proporções.
O proprietário do imóvel informou que desconhecia a atividade criminosa e afirmou ter alugado o espaço em março, acreditando que o local abrigaria uma borracharia para atendimento de motoristas. Segundo ele, os pagamentos de aluguel e das contas de água e energia eram realizados regularmente.
Após as prisões, a polícia acionou a Transpetro e o Corpo de Bombeiros para avaliar os impactos da intervenção clandestina e verificar se ainda há riscos para a população e para o meio ambiente.
A corporação também disse que investiga a possível ligação dos envolvidos com organizações criminosas do Rio de Janeiro e São Paulo.
Um dos suspeitos, segundo os investigadores, já teria sido preso há cerca de dois anos no DF por participação em um esquema semelhante de furto de combustível.
O que diz a Transpetro
“A Transpetro informa que está acompanhando o caso em conjunto com as autoridades de segurança pública. A companhia é vítima desse tipo de ação criminosa e reforça que sua maior preocupação é a preservação da vida, a segurança das pessoas e a proteção do meio ambiente.
O transporte de combustíveis por dutos é seguro e eficiente, mas intervenções clandestinas representam riscos à comunidade e ao meio ambiente. A Transpetro mantém monitoramento permanente de sua malha dutoviária por meio do Centro Nacional de Controle e Logística (CNCL), que utiliza tecnologia de ponta e sensores capazes de detectar remotamente atividades suspeitas e variações operacionais.
A companhia atua em parceria com forças de segurança pública, Ministérios Públicos e demais autoridades competentes para prevenir e combater derivações clandestinas. Essa atuação integrada tem contribuído para a redução de cerca de 90% dos casos de furtos e tentativas de furtos registrados na malha dutoviária desde 2020.