Após tarifas, Brasil precisará encontrar novos destinos para etanol, diz StoneX

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23/07/2026
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Globo Rural

O governo dos Estados Unidos oficializou na última semana tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. Entre os itens afetados, o mercado de etanol será um dos mais impactados pela taxação. Apesar de discussões recentes entre entidades dos dois países, produtores americanos usaram a tarifa brasileira de 18% sobre etanol importado como justificativa para a medida.

Após o novo tarifaço, segundo análise divulgada nesta quarta-feira (22/7) pela StoneX, o Brasil precisará encontrar novos destinos para exportação de etanol.

Em paralelo, tramita nos EUA a extensão do E15 durante todo o ano, o que segundo estimativas da StoneX reduziria em cerca de 76% o potencial exportável americano até 2027. Portanto, a combinação entre o avanço do E15 e a revisão tarifária configura um movimento de proteção à indústria americana de etanol de milho.

No médio prazo, de acordo com a análise da consultoria, o Brasil deve procurar novos destinos para exportação de etanol, visto que a produção segue crescendo em níveis recordes e a demanda interna não vem respondendo na mesma medida, especialmente para o etanol hidratado, que divide a produção das usinas com o anidro.

Possíveis destinos, segundo a análise, incluem os próprios parceiros comerciais já existentes, como Coreia do Sul, Países Baixos e Filipinas. No acumulado de 2026, Coreia do Sul e Filipinas apresentaram quedas relevantes nas exportações brasileiras, ao contrário dos Países Baixos, que praticamente dobraram o volume comprado do Brasil no período.

Apesar das tarifas, o saldo comercial de etanol entre Brasil e Estados Unidos, historicamente favorável ao Brasil, inverteu-se nos últimos anos. Após um superávit brasileiro de 202 mil m³ em 2024, o indicador recuou para 113 mil m³ em 2025 — queda de 44% —, reflexo tanto da retração das exportações brasileiras (-18,5%) quanto do avanço das importações do etanol americano (+28,1%), conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

O ponto de inflexão relevante ocorreu em agosto de 2025, quando o Brasil elevou a mistura obrigatória de anidro na gasolina de 27% para 30%, consumindo parte relevante dos estoques domésticos do produto. No mesmo mês, as importações de etanol americano saltaram para 35 mil m³, ante apenas 0,2 mil m³ em agosto de 2024.

O movimento se intensificou no início de 2026, antes do começo da safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul, em um contexto marcado por estoques abaixo da média histórica, o que reforçou a necessidade de importação. Entre janeiro e março, o Brasil importou 248 mil m³ de etanol americano, volume que não se concretizava desde 2020.

No acumulado do primeiro semestre de 2026, o desequilíbrio se consolidou: as importações de etanol dos EUA somaram 250,8 mil m³ – sendo que praticamente todo o volume foi concentrado no primeiro trimestre, refletindo o fechamento da janela de arbitragem a partir de março -, ante 96,6 mil m³ no mesmo período de 2025, enquanto as exportações brasileiras aos EUA recuaram para 66,4 mil m³, ante 160,9 mil m³. Esse movimento configurou um saldo bilateral negativo de cerca de 184,4 mil m³, revertendo a posição historicamente superavitária do Brasil no fluxo direto com os EUA.

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