Commodity devolve boa parte dos ganhos da semana passada após sinais de retomada da diplomacia entre Washington e Teerã; mercado volta o foco para Fed, IPCA-15 e impactos sobre Petrobras
Estadão Online
O petróleo hoje devolve boa parte dos ganhos acumulados nas últimas duas semanas. Depois de levar o Brent a superar os US$ 100 por barril, a commodity despenca nesta segunda-feira (27) após sinais de que Estados Unidos e Irã voltaram a priorizar uma saída diplomática para o conflito, reduzindo, ao menos por ora, o temor de interrupções no abastecimento global.
Às 9h45 (de Brasília), o Brent para outubro, contrato mais líquido, recuava 5,41%, cotado a US$ 86,72 por barril. O WTI para setembro caía para US$ 83,89, devolvendo grande parte da valorização acumulada na semana passada.
Diplomacia substitui ameaça de escalada militar
A principal mudança veio dos Estados Unidos. Segundo autoridades ouvidas pelo The Wall Street Journal, o presidente Donald Trump adiou uma ofensiva militar de maior escala contra o Irã para abrir espaço às negociações diplomáticas.
Na sexta-feira, as Forças Armadas americanas estariam preparadas para iniciar uma campanha que poderia se estender por até duas semanas. A decisão foi suspensa enquanto Washington tenta reabrir canais de diálogo com Teerã e buscar uma solução para o impasse envolvendo o Estreito de Ormuz, corredor por onde passa cerca de um quinto de todo o petróleo transportado por via marítima no mundo.
Do lado iraniano, o discurso continua cauteloso. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, afirmou que os Estados Unidos não irão determinar “o momento da paz e da guerra” e reiterou que a situação em Ormuz permanece inalterada, apesar das negociações em andamento.
Mesmo assim, o mercado passou a reduzir parte do prêmio de risco incorporado aos preços nas últimas sessões.
Petróleo deixa de monopolizar o mercado
A queda do “ouro negro” também muda o foco dos investidores. Depois de dominar as atenções por quase duas semanas, o petróleo volta a dividir espaço com uma agenda econômica carregada.
Nos Estados Unidos, a expectativa está concentrada na reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), banco central americano, cuja decisão será divulgada na quarta-feira. Além disso, o mercado acompanhará o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, o índice de preços de gastos com consumo (PCE), principal indicador de inflação monitorado pelo Fed, e os balanços de Meta, Microsoft, Apple e Amazon.
No Brasil, os investidores aguardam a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de julho, da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Os indicadores podem consolidar a expectativa predominante de um corte de 0,25 ponto percentual na Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) marcada para 5 de agosto.
Petrobras pode limitar alta da Bolsa
A queda do petróleo pressiona as empresas de óleo e gás, principalmente a Petrobras (PETR3; PETR4), cujos American Depositary Receipts (ADRs, que permitem negociar ações estrangeiras em bolsa americana) já operavam em baixa no pré-mercado de Nova York.
Ao mesmo tempo, o recuo do óleo mineral reduz parte das preocupações recentes com inflação e juros, favorecendo o apetite por ativos de risco no exterior. Os futuros das bolsas americanas e os principais índices europeus operavam em alta nesta manhã.
No Brasil, esse efeito positivo tende a ser parcialmente compensado pelo desempenho mais fraco das petroleiras, tradicionalmente beneficiadas por preços elevados do petróleo. A commodity também influencia diretamente as expectativas para combustíveis, inflação e política monetária, motivo pelo qual permanece entre os principais indicadores monitorados pelos investidores.
Com informações da Broadcast.