Investidores acompanham negociações sobre o Estreito de Ormuz, decisão do Copom e novos dados da economia americana
Estadão Online
Os preços do petróleo hoje voltam a subir tímidos, em um movimento de recuperação técnica após acumularem perdas superiores a 5% nas duas sessões anteriores. Nesta quarta-feira (5), apesar da alta, o mercado continua concentrado nas negociações entre Estados Unidos e Irã para a reabertura do Estreito de Ormuz, principal rota marítima do comércio global da commodity.
Por volta das 10h30 (de Brasília), o contrato do Brent, referência internacional para o preço do petróleo, para outubro avançava 1,08%, cotado a US$ 80,22 por barril. O WTI, referência nos Estados Unidos, subia 0,28%, a US$ 75,98.
A recuperação ocorre depois de uma sequência de declarações de autoridades americanas que alterou rapidamente o humor dos investidores.
O que fez o petróleo cair
Para você
A semana começou com o petróleo em alta, impulsionado pelas incertezas sobre a segurança da navegação no Estreito de Ormuz, corredor por onde passa cerca de um quinto de todo o petróleo transportado no mundo.
O cenário mudou ao longo de terça-feira.
Rumores de que Catar, Estados Unidos e Irã avançavam na redação de um acordo provisório reduziram parte do prêmio de risco embutido nas cotações. Pouco depois, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmou que um entendimento para reabrir o estreito poderia ser fechado “entre hoje e amanhã”.
A declaração acelerou a venda dos contratos futuros. O Brent chegou a cair mais de 3% durante a manhã e encerrou a sessão abaixo de US$ 80 por barril, acumulando um tombo superior a 5%.
A leitura do mercado foi direta. Se a principal rota de exportação de petróleo do Oriente Médio voltar a operar normalmente, diminui o risco de interrupções na oferta global e, consequentemente, cai o prêmio geopolítico incorporado aos preços.
Recuperação encontra limites
Nesta quarta-feira, parte dessas perdas começou a ser revertida, mas analistas avaliam que o mercado ainda evita assumir posições mais agressivas.
Segundo o ING, ainda existe uma distância significativa entre Washington e Teerã tanto sobre a gestão do Estreito de Ormuz quanto sobre o programa nuclear iraniano.
Em relatório citado pela Dow Jones Newswires, o banco afirma que há “um risco muito real de que qualquer acordo se desfaça rapidamente”, lembrando que entendimentos anteriores entre os dois países tiveram curta duração.
A ANZ Research também observa que o otimismo ganhou força após as declarações de Bessent e diante das notícias de que o Irã estaria avaliando permitir que países europeus participem da remoção de minas marítimas na região.
Petróleo, juros e Bolsa caminham juntos
As oscilações do petróleo continuam influenciando outros mercados.
Quando a commodity caiu mais de 5% na terça-feira, investidores passaram a enxergar menor pressão sobre a inflação global. Como consequência, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano recuaram e os índices futuros de Nova York ampliaram os ganhos.
No Brasil, o comportamento do petróleo segue sendo um dos fatores acompanhados antes da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para esta quarta-feira. A expectativa predominante continua sendo de um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, para 14% ao ano.
Além disso, a trajetória do barril permanece relevante para empresas do setor de óleo e gás, como Petrobras (PETR3; PETR4), Prio (PRIO3), PetroReconcavo (RECV3) e Brava Energia (BRAV3), cujas receitas costumam acompanhar as variações das cotações internacionais.
O próximo gatilho
Depois de dois pregões marcados por movimentos bruscos, o mercado entra em uma nova fase. A atenção recai, quase na totalidade, para a confirmação, ou não, de um acordo entre Estados Unidos e Irã.
Se houver avanços concretos na reabertura do Estreito de Ormuz, a tendência é que parte do prêmio de risco geopolítico continue sendo retirada das cotações. Caso as negociações fracassem ou novas tensões militares surjam na região, o petróleo poderá voltar a incorporar rapidamente esse risco aos preços.
Com informações da Broadcast.