
Jornal Folha de S. Paulo
Brasília e rio de Janeiro O governo Lula deve anunciar até o fim desta semana a manutenção da subvenção de R$ 2,12 do diesel por mais 30 dias, segundo informou nesta quinta-feira (24) o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti. Caso confirmada, a medida será anunciada às vésperas do primeiro turno da eleição presidencial.
No início deste mês, o governo anunciou uma nova subvenção de R$ 1 para o diesel, que vigorava de forma concomitante à subvenção que já estava em vigor, de R$ 1,12, totalizando R$ 2,12.
A medida provisória que concedia a subvenção de R$ 1,12 vai caducar neste sábado (26). Moretti disse que o governo deve anunciar a prorrogação desse mesmo montante até o fim desta semana.
“Vamos levar ao presidente, mas, ante indicadores, a tendência é que a gente mantenha [a subvenção]”, falou o ministro durante entrevista coletiva que detalhou as novas projeções para a execução do Orçamento este ano.
A prorrogação do R$ 1,12 poderá ser efetivada já que a medida provisória publicada no início deste mês dá margem ao governo para fazer ajustes no montante total da subvenção.
Em entrevista no Rio, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a alta recente do petróleo deixou a empresa desconfortável com relação aos preços, mas descartou possibilidade de aumentos.
“Não estamos mais confortáveis com Brent a US$ 108 [por barril], mas já começou a reagir e hoje [quinta] está abaixo de US$ 100”, disse. “Não vamos fazer essa conta [de reajustes] todos os dias. Fazemos de 15 em 15 dias. Nesse momento vamos esperar para ver onde o Brent vai parar.”
A estatal elevou o preço do diesel em suas refinarias há duas semanas, mas o aumento foi compensado pelo novo subsídio de R$ 1 anunciado pelo governo dias antes. Magda disse que a empresa não pode ficar alterando o preço, para evitar perda de mercado.
Ela defendeu que a solução para evitar riscos em momentos de crise é ampliar a produção interna de diesel -hoje o Brasil importa cerca de 30% do consumo do combustível.