Quem levou e quem ficou sem nada nos leilões de petróleo da ANP

Petróleo Brent supera os US$ 104 após notícias sobre planos de ataques dos EUA ao Irã
08/10/2026
Mostrar tudo

EIXOS

Os dois leilões de petróleo da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) na quarta (7/10) somaram R$ 3,5 bilhões em bônus de assinatura, sendo que 78% do valor saiu de quatro blocos da Bacia de Campos arrematados pela Petrobras. 

  • A estatal ofereceu R$ 2,77 bilhões por essas quatro áreas no leilão de concessão. A única concorrente foi o consórcio de TotalEnergies e QatarEnergy, que propôs R$ 66 milhões no total. A oferta da estatal foi 42 vezes maior.
  • Os ágios apenas nessas áreas ficaram entre 17.821% e 21.026% sobre o mínimo do edital. Os outros 45 blocos da concessão somaram R$ 239 milhões. Sem esses quatro blocos, o ágio do leilão cairia de 3.511% para 246%.

Quem levou. A Petrobras arrematou 19 dos 49 blocos da concessão, sendo 12 na Bacia de Campos sem sócios e sete no Ceará em parceria com a QatarEnergy. A estatal respondeu por 99,7% do bônus do leilão. Na rodada de partilha, a companhia ficou com Azurita e Cruzeiro do Sul.

  • A Prio estreou em leilões do pré-sal com dois blocos na partilha, Magnetita e Hematita, ambos em Campos. Em Magnetita, ofereceu à União 32,8% do óleo excedente, o maior percentual do leilão.
  • A Equinor levou Rubi sozinha e Rodocrosita com a Galp (30%). O segundo é vizinho ao campo de Bacalhau, no pré-sal de Santos, onde as duas são sócias e veem sinergia entre as áreas. CNOOC e Sinopec ficaram com Jade.
  • “As empresas que entraram já conhecem os ativos adjacentes, então dá um recado de disciplina de alocação de capital”, diz o sócio-líder de óleo e gás da KPMG no Brasil, Bruno Marcondes.

Quem ficou sem nada. A TotalEnergies foi a única das dez empresas que fizeram ofertas na concessão a sair sem áreas. Em consórcio com a QatarEnergy, disputou cinco blocos na Bacia de Campos com lances de R$ 5,5 milhões a R$ 27,5 milhões, mas perdeu todos para a Petrobras.

  • A sócia não saiu de mãos vazias. A QatarEnergy levou sete blocos na Bacia do Ceará, na Margem Equatorial, em consórcio com a Petrobras.
  • Outras 36 empresas aptas a participar da concessão não fizeram oferta.
  • As bacias de Santos e do Espírito Santo não receberam propostas na concessão, e 259 dos 308 blocos disponíveis ficaram sem interessados.
  • Na partilha, seis das 13 áreas do pré-sal não tiveram oferta. São Turmalina e Larimar, em Campos, e Aragonita, Opala, Granada e Cerussita, em Santos.

Em terra. Os 30 blocos terrestres somaram R$ 10,3 milhões em bônus, e metade veio de um só. A Tucano Serviços ofereceu R$ 5,14 milhões pelo TUC-T-156, na Bacia de Tucano Sul, depois de superar a Origem Energia. O mínimo era de R$ 50 mil.

  • A Aguila foi a empresa mais arrematou em terra, com 12 blocos e duas áreas com acumulações marginais. Estreante em exploração, a empresa é vinculada à Aguila Capital, gestora liderada por Blener Mayhew, ex-diretor financeiro da PetroRio, hoje Prio. 
  • A Eneva levou seis blocos no Parnaíba, sem ágio.

Pouca disputa. Apenas dez dos 56 blocos arrematados nos dois leilões tiveram mais de uma oferta, todos na concessão. No mar, a concorrência se limitou aos cinco blocos de Campos disputados entre a Petrobras e o consórcio de TotalEnergies e QatarEnergy. 

  • Das 46 empresas aptas a participar da concessão, dez fizeram ofertas. Dezenove blocos saíram pelo bônus mínimo.
  • Na partilha, os sete blocos do pré-sal saíram sem disputa, por R$ 530,5 milhões. 

Para a ANP, sucesso. A diretoria da agência classificou os leilões como bem-sucedidos, apesar da falta de disputa no pré-sal e da concentração do bônus na Petrobras. 

  • O peso da estatal foi visto como positivo, pois indicou que a companhia seguirá ampliando investimentos no país, mesmo avaliando ativos exploratórios no exterior. 
  • Os blocos sem oferta podem voltar em outros ciclos, segundo a agência.
  • O Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) avaliou que o resultado reflete a confiança das empresas no setor.

O que segue em disputa. Das 65 áreas classificadas pelo Instituto Internacional Arayara como em litígio, 22 foram arrematadas, segundo o monitor de resultados do instituto. 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *