Agência aponta maior demanda por petróleo, arriscando metas climáticas

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RIO DE JANEIRO Em meio às negociações climáticas da COP30, em Belém, a AIE (Agência Internacional de Energia) divulgou nesta quarta-feira (12) um relatório que aponta crescimento contínuo da demanda por petróleo e riscos de elevação da temperatura média global bem acima do teto de 1, 5ºC perseguido pelo Acordo de Paris.

“Os sinais de avanço na transição não estão acompanhando a velocidade exigida pelo clima”, afirmou o diretor-executivo da AIE, Fatih Birol. “Mesmo com mais investimentos em renováveis, a combinação de crescimento econômico e políticas tímidas ainda sustenta a demanda por petróleo e gás”

O relatório estima que, nas condições atuais, a demanda por petróleo irá a 113 milhões de barris por dia em 2050, alta de 13% em relação a 2024. O crescimento seria puxado principalmente por economias emergentes.

Na COP30, o governo brasileiro quer debater critérios para implementar a transição para fora dos combustíveis fósseis deliberada na COP28, em Dubai. Mas a ausência dos Estados Unidos, maiores produtores globais, e a resistência de países africanos são obstáculos.

As projeções da AIE sinalizam mudança de direção da agência, criticada pelo governo Donald Trump. O relatório foi comemorado pela Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), como “encontro com a realidade”.

A AIE avalia que a maior preocupação com segurança energética, perspectivas de crescimento econômico e o avanço de tecnologias intensivas em energia, como a inteligência artificial, tornam mais lento o processo de transição energética.

O texto cita argumentos reforçados pela indústria do petróleo sobre a necessidade de ampliar a oferta de energia a pessoas sem acesso ou com acesso precário no planeta – uma transição “justa e inclusiva”, nas palavras das petroleiras.

“O quadro é de resiliência do petróleo e do gás, mesmo diante de avanços em renováveis”, resume o texto. No último relatório, de 2024, a AIE via pico da produção de petróleo antes de 2035. Agora, isso só aconteceria com reforços em políticas de mitigação das mudanças climáticas.

Se cumpridas metas já anunciadas, mas ainda não implementadas, a demanda por petróleo se estabilizaria por volta de 2030.

A agência estima que, no cenário de políticas atuais, a temperatura média global pode subir cerca de 3ºC até o fim do século.

Com implementação de políticas de mitigação, haveria aquecimento de aproximadamente 2, 5ºC.

Mesmo no cenário mais ambicioso, de emissões líquidas zero até 2050, a AIE diz que o limite de 1, 5ºC será temporariamente ultrapassado nas próximas décadas, com retorno após 2100 – dependendo de tecnologias de remoção de carbono ainda não comprovadas em larga escala.

“A janela para limitar o aumento da temperatura a 1, 5ºC está se fechando rapidamente”, diz o texto. “Sem aceleração nas políticas de transição e no investimento em tecnologias limpas, o mundo ficará preso a um cenário de alto carbono por mais uma geração”

Em nota distribuída após a divulgação do relatório, a Opep destacou o que chamou de mudança de postura da agência. “Reconhece, pela primeira vez em muitos anos, que o petróleo e o gás continuarão desempenhando papel central na matriz energética global”.

A organização vê o novo relatório como um “encontro com a realidade” após “previsões excessivamente otimistas” sobre o fim da era dos combustíveis fósseis. “Hoje o mundo consome mais petróleo, carvão e gás do que nunca”, afirma o texto.

113

milhões de barris de petróleo por dia é a previsão de demanda estimada pela Agência Internacional de Energia para o ano de 2050

3ºC

é a previsão de aumento da temperatura média global até o fim do século, segundo a AIE, se mantidas as políticas energéticas atuais

2, 5ºC

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