Eixos
A retirada temporária das sanções dos Estados Unidos ao petróleo e derivados da Rússia vai ampliar a oferta de diesel russo no mercado internacional — produto que já vinha sendo comprado pelo Brasil, mas que agora tende a chegar ao país sob preços mais altos.
- Em meio à crise global com a alta do petróleo devido à guerra no Oriente Médio, os EUA confirmaram o aval para transações com petróleo e derivados russos até 11 de abril (CNN).
- É uma tentativa de contornar o choque de oferta pelas dificuldades de tráfego no Estreito de Ormuz.
O Brasil ampliou a importação de diesel russo desde 2022, quando teve início a guerra na Ucrânia. Por mais que não tenha aderido às sanções e tenha até ampliado a compra do produto russo, as empresas brasileiras negociam sob o teto de preços imposto pelos EUA e Europa.
Mas a competição pelo produto russo tende a ficar mais acirrada.
- Nos últimos anos, o Brasil disputou nos últimos anos o diesel russo com a Ásia, sobretudo a China.
- Apesar de os EUA não importarem diesel russo, a retirada das restrições pode estimular outros países a ampliar a demanda pelo produto.
- Vale lembrar que a concorrência também está mais feroz devido à crise no Estreito de Ormuz. Segundo o Goldman Sachs, as paradas de refinarias no Oriente Médio retiraram 2 milhões de barris/dia de capacidade do mercado.
Hoje, cerca de 30% da demanda brasileira por diesel é atendida por importações, principalmente da Rússia e dos Estados Unidos.
- O aumento dos preços internacionais dificulta o fechamento de novas cargas pelos importadores brasileiros, que têm indicado dificuldade de competir com a Petrobras.
- No sábado (14/3), a estatal reajustou o preço do diesel em R$ 0,38. Mesmo assim, o valor ainda é considerado abaixo da paridade com as cotações internacionais.
Antes mesmo do reajuste, o consumidor já sente o impacto da guerra no bolso: segundo a ANP, o litro do diesel encerrou a semana de 14 de março a R$ 6,80, alta de 11,9% em relação à semana anterior. Já a gasolina subiu para R$ 6,46 no mesmo período.
- Ainda resta saber qual será o real impacto do subsídio anunciado pelo governo na quinta (12), de R$ 0,32 por litro no diesel. A subvenção vale tanto para para o produto importado quanto para o entregue pelas refinarias brasileiras.
No ano passado, o mercado internacional chegou a ensaiar um potencial retorno do petróleo e derivados da Rússia, em meio aos sinais de que as negociações com a Ucrânia avançavam, por mais que nunca tenham se concretizado.
- O cenário contribuiu para a percepção de sobreoferta e para a queda de preços observada no segundo semestre de 2025 — situação que se inverteu completamente desde que eclodiu o conflito no Oriente Médio.
Segurança de fornecimento. O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, afirmou no sábado (14) que a prioridade do governo é garantir o abastecimento de combustível no país diante da alta do preço do barril de petróleo por causa da guerra no Oriente Médio.
Petrobras minimiza imposto. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou na sexta (13) que as exportações permanecem vantajosas, mesmo com a criação de um imposto temporário de 12% sobre as vendas do petróleo bruto no mercado internacional.
- Segundo ela, a alta recente dos preços do barril, impulsionada pela guerra no Oriente Médio, mais do que compensa a nova taxação.
- A estatal, inclusive, fez um novo leilão de diesel na sexta (13), após uma disparada da demanda pelo combustível. A estatal confirmou à agência eixos que, dessa vez, a oferta foi de 240 milhões de litros, para entrega durante o mês de abril em diversos polos onde atua.
Disputa jurídica. O imposto de 12% sobre as exportações de petróleo bruto para bancar as medidas de contenção à alta dos combustíveis pegou o mercado brasileiro de surpresa, novamente, dado que ainda não há desfecho para a judicialização da cobrança adotada em 2023.
- No caso anterior, foram 9,2% sobre os embarques de petróleo para bancar a manutenção da desoneração do diesel, estabelecida no governo de Jair Bolsonaro (PL), que encerrou em 2022.
Preço do barril. O petróleo fechou em alta na sexta-feira (13), encerrando uma semana marcada pela volatilidade, em que o Brent subiu 11% e superou o nível simbólico de US$ 100 o barril.
- Investidores monitoraram a continuidade da guerra no Irã e preocupações com o escoamento pelo Estreito de Ormuz, com destaque para o alívio de sanções à Rússia pelos EUA e possibilidade de passagem de alguns navios pelo estreito.
- O Brent para maio subiu 2,67% (US$ 2,68), a US$ 103,14 o barril.