Valor Econômico
O conglomerado Ultra – dono da rede de postos Ipiranga e outros negócios – prepara-se para dar neste ano uma guinada em sua estratégia. No foco estão a reorganização do portfólio de ativos, a disputa por uma das refinarias de petróleo da Petrobrás e a renovação de seu conselho de administração. Fundado em 1937 como uma fabricante de botijões de gás, o objetivo atual é se consolidar como uma companhia de óleo, gás e de distribuição de combustíveis.
O comando intensifica no início deste ano decisões para definir o novo conselho de administração a ser nomeado na reunião em abril. Dois nomes passarão a fazer parte das 11 vagas do colegiado, apurou o Valor com fontes a par do assunto. Um dos nomes cotados é o de Marcos Lutz, que foi presidente do grupo Cosan até abril de 2020.
Lutz conta com o apoio de um dos ramos da família Igel, fundadora do grupo, e do fundo Pátria, um dos sócios do conglomerado. O segundo nome, ainda não definido, também deverá substituir um dos atuais membros do conselho na assembleia de acionistas e de formação do conselho para o período 2021-2023.
As mudanças são consideradas significativas para o conglomerado, que por anos foi comandado por Paulo Cunha, braço direito de Pery Igel, filho do fundador do Ultra. Em 2007, Cunha foi sucedido pelo executivo Pedro Wongtschowski, que também é homem de confiança da família e atualmente ocupa a presidência do conselho.
A grande aposta da Ultrapar, holding que abriga todos os negócios, para 2021 é se tornar dona de uma das refinarias da Petrobras no o sul do país colocadas à venda pela estatal. Trata-se de um investimento na casa de US$ 2 bilhões a US$ 3 bilhões. Em dezembro, o grupo apresentou sua oferta por duas unidades – Alberto Pasqualini (Refap), do Rio Grande do Sul, e Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná. Pelas regras da estatal, o vencedor poderá ficar com apenas uma refinaria na mesma região.
As propostas recebidas de todos os interessados ainda estão na fase de análise da Petrobras. O Ultra concorre com outra gigante do setor, o grupo Cosan, do empresário Rubens Ometto, por meio da Raízen, joint venture com a Shell.
Um dos nomes cotados da renovação do conselho de administração, para imprimir uma gestão condizente com a nova estratégia, é justamente de alguém que conhece bem a principal rival de mercado da Ipiranga: a Raízen Combustíveis.