Eixos
O prolongamento do conflito no Oriente Médio e a ausência de um sinal de reabertura dos fluxos comerciais de petróleo na região levaram o preço do barril a variar de US$ 84 a US$ 120 ao longo de segunda-feira (9/3).
- Os preços estão no maior patamar desde 2022, quando teve início um outro conflito que se arrasta há anos, a guerra na Ucrânia.
- Na prática, a cotação praticamente dobrou em relação ao início do ano, quando o barril estava na casa dos US$ 60.
- As ações das petroleiras brasileiras reagiram e acompanharam a alta (Valor Econômico)
- Novamente, o choque internacional nos combustíveis ocorre num ano eleitoral no Brasil e os combustíveis tendem a ser um item de peso no pleito.
Ao longo da segunda (9), a cotação teve um alívio e o Brent encerrou o dia cotado a US$ 98,96 o barril na negociação para maio.
- Os preços cederam depois da sinalização de uma possível liberação de estoques por países do G7.
- Ao todo, a Agência Internacional de Energia (IEA) estima que os membros da agência têm mais de 1,2 bilhão de barris de reservas públicas de emergência, que poderiam ser usados para aliviar o mercado.
- Além disso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também disse que a guerra terminará “muito em breve”. (G1)
Os desdobramentos futuros dependem muito da abertura do Estreito de Ormuz.
- A Rystad Energy calcula que se a atual situação persistir por quatro meses, os preços do barril chegarão a US$ 135.
Analistas apontam que não há um fator novo que justifique a recente alta, mas sim a consolidação das expectativas no mercado de que os efeitos gerados pelo fechamento de Ormuz vão durar mais que o esperado, depois de uma semana do início do conflito.
Segundo a analista da StoneX, Isabela Garcia, o desvio de rotas e o uso de estoques podem amenizar a pressão no curto prazo, mas não resolvem o problema de forma estrutural.
Enquanto isso, os reiterados ataques à infraestrutura na região também indicam que a recuperação após o conflito será mais demorada.
Não são apenas os analistas que estão sentindo a realidade da guerra se impor: no Brasil, o presidente Lula (PT), candidato à reeleição, reconheceu que o preço dos combustíveis “está subindo muito e deve subir em todos os países do mundo”.
Mas, por enquanto, a Petrobras está evitando repassar os aumentos, sem reajustes no diesel e na gasolina desde o início do conflito.
- A demora, no entanto, gera transtornos na cadeia de comercialização.
- As defasagens nos preços da estatal em relação ao mercado internacional atingiram o maior patamar em anos, com uma diferença de 85% no diesel, que tem espaço para uma alta de R$ 2,74 no litro, segundo a Abicom.
- Na gasolina, a diferença é de 49%, com espaço para reajuste de R$ 1,22 no preço do litro.