Desaceleração na transição energética é um dos fatores que levaram à crise na Raízen, indica Shell

Shell investirá R$ 3,5 bilhões na Raízen e espera aporte igual da Cosan, diz CEO no Brasil
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Um dos fatores que levou à atual crise financeira na Raízen foi a desaceleração na transição energética após a pandemia, combinada com a conjuntura dos mercados de etanol e açúcar, a expansão acelerada de linhas de negócio, a alta dos juros e o crescimento da alavancagem financeira da companhia, reconheceu o CEO da Shell Brasil, Cristiano Pinto da Costa.

“O mundo não avançou com tanta velocidade quanto se esperava na transição energética, como consequência, a demanda pelo combustível não foi tão alta quanto a gente esperava”, disse o executivo em café da manhã com jornalistas na terça-feira (3/3) no Rio de Janeiro.

A Raízen é uma joint venture entre a Shell e a Cosan. Nos últimos anos, a empresa apostou fortemente no etanol de segunda geração.

Segundo Pinto da Costa, a Shell se comprometeu a aportar até R$ 3,5 bilhões de reais no processo de capitalização da companhia e espera que a sócia aporte um valor similar, de modo a manter a atual estrutura societária da companhia.

O executivo ressaltou, no entanto, que a companhia tem preferência por manter a atuação integral da Raízen nos negócios de etanol e distribuição de combustível.

A eventual separação das operações foi considerada, mas ele acredita que é necessário primeiro recuperar a empresa para prosseguir com essa opção.

“A Shell não se opõe a uma eventual guerra dos negócios. A gente só acredita que, dada a complexidade das operações, da dívida e da interdependência dos dois negócios, a sequência mais plausível é tentar recapitalizar a companhia de uma forma integrada primeiro e depois que estiver estabilizada eventualmente considerar uma separação”, explicou.

A capitalização pelos sócios atuais passou a ser discutida depois que a tentativa de atrair um novo investidor para a joint venture falhou.

“Fizemos um data room, encontramos diferentes atores globais para olhar. A Shell colocou todos os esforços internacionais pelo seu time global de aquisição de investimento, todo o peso da nossa relação com vários potenciais investidores. Infelizmente, esse processo não conseguiu trazer até o momento um sócio novo”, disse.

A Raízen está implementando uma reestruturação, com a venda de ativos para focar as atividades na produção e comercialização de etanol e a distribuição de combustíveis. Entre os desinvestimentos estão projetos de geração de energia elétrica.

“O grau de complexidade da solução não deve ser subestimado”, afirmou o executivo.

Segundo o CEO da Shell Brasil, a recuperação da Raízen foi debatida com o presidente Lula (PT).

“É do interesse do governo brasileiro, a Raízen é uma das principais companhias do país”, disse.

Outras fontes renováveis
O CEO da Shell Brasil descartou novos investimentos em geração de energias renováveis, como solar e eólica, por ora.

“Nesse momento isso não é parte da estratégia da companhia”, disse.

Segundo ele, a empresa segue com investimentos internacionais em renováveis, biocombustíveis, hidrogênio e sequestro de carbono, mas “de maneira seletiva, testando essas novas tecnologias e o modelo de negócios”.

“Eventualmente, conforme a demanda por esse novo tipo de energia volte a crescer no mundo, a gente pode voltar a acelerar. Mas o foco principal da companhia hoje está no crescimento das linhas de negócio de exploração e produção”, afirmou.

Na visão dele, a desaceleração da transição energética foi uma das consequências da invasão da Ucrânia pela Rússia, que levou o mundo a focar mais na segurança energética. Além disso, o recente aumento na demanda, associado sobretudo ao uso da inteligência artificial, também reforçou o movimento.

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