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Empresa avançou no mercado de gasolina em Pernambuco e no Maranhão

Valor Econômico

A Acelen, companhia controlada pelo Mubadala que opera a Refinaria de Mataripe, na Bahia, tem buscado expandir sua participação no Nordeste. Avanços foram alcançados, segundo a empresa, no mercado de gasolina em Pernambuco e no Maranhão, mas o objetivo é aumentar o alcance de outros produtos, como o combustível marítimo, o “bunker”.

“Estamos ampliando a relevância no Nordeste”, disse Cristiano da Costa, vice-presidente comercial da Acelen. “Desde quando assumimos [em 2022], foram investidos R$ 3 bilhões na revitalização da refinaria. Nos tornamos a segunda maior do país, com 14% da capacidade total de refino e 42% da capacidade do Nordeste.” A primeira do ranking é a Refinaria de Paulínia (Replan), segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Em 2022, quando a unidade foi vendida pela Petrobras, a então Refinaria Landulpho Alves (Rlam) tinha 2% do mercado de gasolina do Maranhão e 5% de Pernambuco. Hoje, Mataripe atende 35% do consumo de gasolina do Maranhão e 36% de Pernambuco. “A região Nordeste é deficitária em capacidade de refino. A maior parte do abastecimento era de produto importado ou por cabotagem da Petrobras”, disse Costa.

No Nordeste, outra planta que tem relevância é a Refinaria Abreu e Lima (Rnest), da Petrobras, focada em produção de diesel.

Segundo Costa, a companhia fez ajustes nos últimos três anos: otimizou processos para reduzir gargalos da refinaria, expandiu capacidade de tancagem e promoveu melhorias logísticas. “Antes, a refinaria atendia diversos mercados no Brasil, não focava em atender mercados próximos no Nordeste. Quando assumimos, entendemos que não havia motivo para levar produtos para o Sul do país, onde o mercado já está ocupado. Demos preferência a rotas menores, com eficiência maior.”

Desde 2022, quando assumimos a refinaria, investimos R$ 3 bilhões na unidade”

— Cristiano da Costa

A maior participação da Acelen na região, disse Costa, permite reduzir a entrada de combustíveis importados, que antes eram mais utilizados por distribuidoras nordestinas para atender à demanda. “Com a expansão, deixam de chegar [parte dos] navios com combustível importado para consumidores que agora recebem produto brasileiro. Isso garante a qualidade do combustível, uma política tributária correta, confiabilidade e regularidade, além de facilidades de ajustes, uma vez que somos uma empresa nacional”, disse Costa.

O petróleo refinado pela Acelen é 70% brasileiro, fornecido por Petrobras, Brava e Petroreconcavo. Os outros 30% são importados, tendo os Estados Unidos como principal fornecedor. Eventuais compras de diesel também vêm dos americanos.

Para 2026, diz Costa, a companhia quer ampliar capacidade e consolidar o mercado de bunker. “A Margem Equatorial está crescendo, teremos muitos navios passando por ali, o que vai aumentar a demanda por combustível marítimo. Também queremos consolidar o combustível de aviação.”

Quanto às informações de bastidores sobre possível conversa entre o fundo dos Emirados Árabes, o Mubadala Capital, e a Petrobras para uma eventual recompra da Refinaria de Mataripe, Costa disse que a discussão é em nível de acionistas. “Nossa equipe hoje está madura sobre esse assunto. É uma discussão que não nos envolvemos.”

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