Fecombustíveis aponta que ágio em leilão da Petrobras aumentará preço na bomba

Preço do diesel sobe quase 12% na semana e litro chega a R$ 6,80, mostra ANP
16/03/2026
Posicionamento Fecombustíveis – Fatores da composição de preços
16/03/2026
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 Jornal Correio Braziliense 

A medida do governo federal de redução de impostos sobre diesel e gasolina pode não alcançar o efeito esperado para segurar os preços. A Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis) alertou que a medida tributária é apenas um dos componentes que influenciam o custo final do combustível.

“No contexto da guerra, as oscilações de preços são diárias e imprevisíveis”, informou a entidade. A Fecombustíveis também chamou atenção para outro fator que vem ocorrendo paralelamente no mercado. Nos leilões realizados pela Petrobras, o diesel tem sido comercializado em patamar bem superior ao preço de referência divulgado pelas refinarias da própria companhia. O ágio está chegando a R$ 2,36 em cima do preço de tabela.

Previsão de alta do diesel nos postos

As distribuidoras estão disputando diesel e gasolina nos leilões da Petrobras. Pagando mais, garantem o produto para ser repassado aos postos de gasolina. Esses alegam que, pelo aumento do valor no início da cadeia, será difícil não repassar os custos para o preço na bomba. “Infelizmente, a previsão é que o diesel aumente nesta semana. Não só as distribuidoras têm de explicar suas planilhas. A Petrobras também tem que vir a público explicar por que está cobrando tão caro nos leilões. E também porque vai, em abril, cortar 30% das cotas com as distribuidoras que já têm contratos com ela, ressaltou o presidente do Sindicombustíveis do DF Paulo Tavares. “A situação dos postos está muito difícil. Vi no domingo vários fechados, sem operar. Ou por não ter produto, ou para preservar estoque”, completou. Tavares foi reeleito presidente da entidade para mais quatro anos de mandato.

Efeito cascata no setor atacadista

A Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (Abad) acompanha com atenção o anúncio do reajuste no preço do óleo diesel. O setor depende fortemente do transporte rodoviário para abastecer o pequeno e médio varejo em todas as regiões do país. Segundo o presidente da Abad, Leonardo Miguel Severini, o custo do frete representa, em média, entre 4% e 5% da estrutura de custos das empresas, o que torna qualquer variação no preço do combustível um fator de pressão direta sobre as operações. “O efeito agregado pode variar aproximadamente entre R$0, 15 e R$0, 25, evidenciando como os aumentos de combustíveis se propagam gradualmente dentro da cadeia operacional” destacou.

Regime de contencão

Ao mesmo tempo, observa-se que distribuidoras de combustíveis já operam em regime de maior contenção, o que tem levado a ajustes nos planos de entrega em relação ao padrão habitual de abastecimento. “Um reajuste ou falta no diesel, quando aplicado a operações logísticas que percorrem milhares de quilômetros diariamente, gera impacto relevante nos custos de distribuição”, alerta Severini.

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