EIXOS
Os preços do barril de petróleo no mercado internacional seguiram a trajetória de alta na quarta (11/3) mesmo após a decisão da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) de realizar a maior liberação de reservas em estoque da história da entidade. É um sinal de que as cotações estão se consolidando em um novo patamar.
- Países associados à agência concordaram em disponibilizar 400 milhões de barris para dar liquidez ao mercado em meio à crise causada pela dificuldade de navegação no Estreito de Ormuz, devido à guerra no Oriente Médio.
- “Os desafios que enfrentamos no mercado de petróleo são de uma escala sem precedentes”, disse o diretor-geral da IEA, Faith Birol.
O volume liberado corresponde a cerca de um terço dos estoques estimados pela agência. Ou seja, ainda é possível que ocorram novas injeções de volumes no mercado.
- Medidas semelhantes foram tomadas em 2022, ano em que teve início a guerra na Ucrânia.
- Vale lembrar que os estoques nos Estados Unidos, um dos principais membros da agência, estavam em trajetória de crescimento até a semana passada.
- O presidente dos EUA, Donald Trump, enfrenta críticas internas pelo atual conflito. Ele foi eleito sob a promessa de reduzir o preço da energia — o oposto do que está acontecendo.
Mesmo com os volumes adicionais, o preço do barril de petróleo voltou a subir no mercado internacional na quarta (11/3).
- O Brent para maio encerrou o dia em alta de 4,76% (US$ 4,18), a US$ 91,98 o barril.
A liberação de estoques é uma medida provisória e de curto prazo. Portanto, é insuficiente para contribuir para uma mudança mais estrutural nos preços — o cenário futuro depende sobretudo de quanto tempo vai durar a restrição no Estreito de Ormuz.
- A Argus lembra que a China tem estoques de petróleo compatíveis com os níveis atuais da IEA, mas que, ainda assim, empresas chinesas estão pagando preços muito elevados por cargas físicas.
- “Nem mesmo a China está em posição de sustentar liberações indefinidas de estoques para compensar um choque de oferta dessa magnitude. (…) Os preços futuros são uma opinião — mas uma carga de querosene de aviação ou nafta hoje é um fato”, lembra o analista da Argus responsável pela área de petróleo e refinados na China, Tom Reed.
Entretanto, agências internacionais relatam que o Irã está impedindo a passagem de cargas de outros países pelo estreito, mas ampliou as exportações nacionais, com destino sobretudo à China (O Globo).
- O impacto desse movimento ainda é incerto. No primeiro relatório mensal após o início da guerra, a Opep manteve a previsão para o crescimento da demanda global pela commodity este ano, em 1,4 milhão de barris/dia.
- Diversos países que são membros do cartel estão enfrentando dificuldades nas exportações devido ao conflito, como a Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Iraque.
Enquanto isso, no Brasil… O ministro de Minas e Energia (MME), Alexandre Silveira (PSD), disse em audiência pública na Comissão de Minas e Energia (CME) da Câmara dos Deputados que a Polícia Federal vai fiscalizar “especulação criminosa” de combustíveis em meio à crise.
E o leilão da Petrobras para oferta de volumes extras de diesel terminou com ágio de R$ 1,78 por litro. (Valor Econômico)
- A estatal testou um teto de preço que o mercado está disposto a pagar.
- Por outro lado, após queixas de produtores rurais no Rio Grande do Sul, colocou 20 milhões de litros do produto mais caro no mercado, que será repassado na ponta.