Folha de S. Paulo
BELÉM(PA) A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, propôs no sábado (15) em reunião com representantes de outros países que a COP30 torne oficial o compromisso para a criação de um roteiro para o fim dos combustíveis fósseis. Caso a ideia vá adiante, a negociação entraria na agenda das próximas edições.
A proposta de roteiro para aposentar petróleo, gás e carvão foi citada pelo presidente Lula (PT) durante discurso de abertura da Cúpula do Clima, que reuniu chefes de Estado e governo e precedeu a COP, e também na sessão inaugural da conferência. A Folha antecipou que o Brasil queria articular uma proposta do tipo.
O objetivo é transformar em prática o alçado na COP28, de Dubai, quando os países concordaram em fazer uma transição econômica para longe dos combustíveis fósseis -na ocasião, não detalharam como nem com que prazos.
A reunião deste sábado foi organizada pela Boga (Beyond Oil &Gas Alliance), coalizão de governos e parceiros que trabalham para a eliminação gradual da produção de petróleo e gás. O encontro contou com ministros e representantes de diferentes países, como Noruega, França, Reino Unido, Emirados Árabes Unidos, Alemanha, Suíça e Nigéria.
“O que nós precisamos é deixar Belém com um mandato claro, para que possamos começar a construir e planejar -nos para os próximos anos, para que a implementação do consenso dos Emirados Árabes possa se tornar realidade”, afirmou Marina.
A ministra afirmou que a transição energética só será viável se levar em conta as diferenças entre países, regiões e populações. Ela disse que cada realidade tem recursos, vulnerabilidades e capacidades distintas, e que qualquer roteiro global precisa reconhecer essas disparidades.
“Sabemos que não temos os mesmos meios e recursos financeiros, humanos e tecnológicos para garantir a segurança energética para todos. Então precisamos entender quem será negativamente afetado e quais salvaguardas podemos criar para que ninguém fique para trás”, disse.
Após o discurso, Marina conversou com jornalistas e indicou que o processo de transição seria liderado pelas nações desenvolvidas. “Países ricos lideram a corrida, e produtores, consumidores e países em desenvolvimento vêm em seguida. Nós não temos uma fórmula, não temos uma resposta. Por isso que eu digo: a verdade vai surgir aqui entre nós, de como interessa da melhor for ma possível esse mandato” FP