Empresa de lubrificantes é controlada pela Cosan, que não quer abrir mão do comando
Estadão Online (Broadcast)
As conversas entre Cosan e Vibra para a venda de uma participação na Moove, empresa de lubrificantes automotivos do grupo Cosan, esfriaram nos últimos dias. Enquanto o desejo da Cosan é não abrir mão do controle da empresa, para a Vibra, deter uma fatia minoritária não faz sentido.
Para preservar o controle, o grupo Cosan só pode vender uma pequena parcela, caso o fundo de private equity CVC Capital, que detém 30% da Moove, vá adiante com a intenção de vender sua participação na empresa de lubrificantes. Como a Cosan está se desfazendo de ativos para se desalavancar, busca na negociação um patamar que avalie a Moove próximo de US$ 1,9 bilhão, meta do grupo na tentativa frustrada de abrir o capital da subsidiária no ano passado.
A discussão de preço foi um ponto de frustração nas conversas, apurou a Coluna. A Moove atua em 11 países da América do Sul, América do Norte e Europa, o que para a Vibra, que não tem rede de distribuição lá fora, exigiria investimentos adicionais. “É uma transação difícil, na qual a equação de risco versus retorno não é trivial”, disse uma fonte do mercado de fusões e aquisições.
Dúvidas sobre a transação afetaram as ações
As ações da Vibra caíram 4% quando as negociações vieram a público, em meados de julho. Em relatório publicado na época, os analistas do Itaú BBA levantaram preocupações com a alavancagem da Vibra. “Nossa análise de sensibilidade sugere que a alavancagem da nova empresa pode ser de aproximadamente 3,2 a 3,7, o que parece relativamente alto e na direção oposta para investidores que aguardavam desalavancagem.”
O incêndio na fábrica da Moove na Ilha do Governador, em fevereiro, também “chamuscou” as conversas, apurou a Coluna. Em relatório, os analistas do Itaú BBA avaliaram que o acidente tornou a previsão dos lucros da empresa mais desafiadora.
O diretor financeiro da Cosan, Rodrigo Araújo, disse a investidores, em maio, que a empresa teve uma boa capacidade de reação após o ocorrido. “O (primeiro) trimestre foi muito afetado pelo incêndio, mas abril já foi melhor do que março e maio já se encaminha para ser melhor. Podemos ver claramente a companhia se recuperando”, afirmou na ocasião.
De toda forma, o negócio de lubrificantes está na lista de desejos de Vibra, o que pode levá-la a liderar esse mercado no Brasil, hoje dominado pela Moove. A empresa detém os direitos exclusivos da marca Mobil no Brasil. A Vibra contratou o Citi para buscar ativos no setor, apurou a Coluna. Na realidade, o plano ideal da Vibra seria adquirir o total da Moove.
Negócio é visto como saudável
Internamente, a Moove é vista na Cosan como um negócio saudável. Estrategicamente, porém, o grupo tem menor apego do que à Compass (gás) e à Rumo (logística). A Cosan já explicitou, em teleconferência com analistas, que não pretende abrir mão de nenhuma das duas companhias. Ambas se pagam e geram bom retorno.
A Cosan vive um período de “reciclagem de portfólio”. Com juros elevados, a alavancagem financeira da holding virou um problema que, para ser resolvido, passa pela venda de ativos. A alavancagem da companhia encerrou o primeiro trimestre de 2025 em 2,8x, 0,1x abaixo do nível do fim de 2024. A dívida líquida foi de R$ 17,5 bilhões, R$ 6 bilhões a menos que no trimestre anterior, em razão da entrada dos recursos da venda de ações da Vale.
Procuradas, Vibra e Cosan não comentaram.