Operação interdita quase 50 postos no PI, MA e TO por suspeita de lavar dinheiro para o PCC

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Segundo a SSP, o grupo usava empresas de fachada, fundos de investimento e fintechs para fraudar o mercado de combustíveis. Um dos bens apreendidos foi o avião de um empresário.

Por G1 PI, TV Globo

  • Quase 50 postos de combustíveis estão sendo interditados no PI, MA e TO durante a Operação Carbono Oculto 86.
  • Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Piauí, o grupo usava empresas de fachada para lavar dinheiro para o PCC.
  • A investigação revelou interconexão direta entre empresários locais e os mesmos alvos da Operação Carbono Oculto, em São Paulo.

Carbono Oculto: Operação contra PCC interdita cerca de 50 postos no Nordeste

49 postos de combustíveis estão sendo interditados nesta quarta-feira (5) no Piauí, Maranhão e Tocantins durante a Operação Carbono Oculto 86, que investiga um esquema de lavagem de R$ 5 bilhões para o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Piauí, o grupo usava empresas de fachada, fundos de investimento e fintechs para lavar dinheiro para a facção, fraudar o mercado de combustíveis e ocultar patrimônio. Dezesseis postos ficam na capital piauiense Teresina.

Um dos bens apreendidos na operação foi o avião Cessna Aircraft do empresário Haran Santhiago Girão Sampaio. O g1 não conseguiu contato com a defesa dele até a última atualização desta reportagem. A polícia apreendeu ainda um Porsche avaliado em mais de R$ 550 mil.

Os policiais também cumpriram mandados de busca e apreensão nos seguintes endereços ligados aos investigados:

  • Duas casas localizadas em condomínio de luxo nos bairros Uruguai e Novo Uruguai, na Zona Leste de Teresina;
  • Cinco apartamentos nas zonas Leste, Sudeste e Sul de Teresina;
  • Uma casa localizada em condomínio em Araraquara (SP).

A suspeita é que o esquema seja semelhante ao descoberto na Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto e que é considerada a maior da história do país contra o crime organizado.

De acordo com a Polícia Civil do Piauí, o valor de R$ 5 bilhões foi identificado em movimentações atípicas das empresas envolvidas no esquema.

Como era o esquema

A investigação revelou interconexão direta entre empresários locais e os mesmos fundos e operadores alvos da Operação Carbono Oculto, realizada em São Paulo.

Para dificultar a identificação dos reais beneficiários, os suspeitos usaram nomes de laranjas, constituíram fundos e usaram fintechs para movimentações financeiras, mesmo modo de operação verificado na Carbono Oculto.

A investigação aponta ainda que os postos vendiam combustível adulterado e que usaram fraude fiscal para deixar de pagar milhões de reais em impostos.

Onde estão os postos

De acordo com a SSP, os policiais estão em campo para interditar os postos localizados nas seguintes cidades:

  • Piauí: Teresina, Lagoa do Piauí, Demerval Lobão, Miguel Leão, Altos, Picos, Canto do Buriti, Dom Inocêncio, Uruçuí, Parnaíba e São João da Fronteira;
  • Maranhão: Caxias, Alto Alegre e São Raimundo das Mangabeiras;
  • Tocantins: São Miguel do Tocantins.

Uma coletiva de imprensa será realizada às 11h desta quarta, na sede do Ministério Público do Piauí, em Teresina, para dar mais detalhes sobre a operação.

Braço do PCC no Nordeste

A investigação teve início após a venda da rede HD, que possui dezenas de postos no Piauí, Maranhão e Tocantins, em dezembro de 2023. A polícia descobriu que a rede foi vendida à Pima Energia e Participações, que havia sido criada apenas seis dias antes da operação.

Informações levantadas pelos investigadores indicaram ainda inconsistências patrimoniais e alterações societárias suspeitas.

A investigação identificou ainda remessa de mais de R$ 700 mil de um dos suspeitos para uma empresa citada na operação Carbono Oculto por ligação com o esquema do PCC.

Ainda segundo a investigação, há indícios de fraude fiscal e de emissão de notas fiscais frias pelo grupo, além do uso de fundos e holdings para ocultar recursos.

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