Fonte: Valor Econômico
Definido o pacote de refinarias que a Petrobras colocará à venda, a companhia se debruçará nos próximos meses sobre alguns detalhes importantes sobre a estrutura do plano de desinvestimentos. Segundo duas fontes da administração da petroleira, o debate sobre o modelo de negócios da venda ainda definirá se a empresa venderá suas unidades isoladamente ou em grupos e que ativos de logística associados (como terminais e dutos) serão ofertados em conjunto com as refinarias.
Esses dois detalhes afetam as perspectivas de atratividade – e, consequentemente, da valoração – do negócio. Quanto mais ativos associados, maior tende a ser o interesse pelas unidades à venda. Uma das fontes destaca que, por isso, a ideia é que as refinarias sejam vendidas junto com suas infraestruturas logísticas associadas, embora o modelo final do desinvestimento ainda não esteja sacramentado.
O Bradesco BBI, por exemplo, estima que a Petrobras pode conseguir levantar entre US$ 12 bilhões e US$ 19 bilhões com a venda das oito refinarias, sem a infraestrutura ao redor. Caso os dutos e terminais associados sejam incorporados, a avaliação do parque de refino à venda pode variar de US$ 13,5 bilhões a US$ 23 bilhões.
A definição se a empresa venderá suas unidades isoladamente ou em grupo também é aguardada pelo mercado. O plano original de desinvestimento da Petrobras no refino, elaborado ainda na gestão Pedro Parente, previa a venda de fatia de 60% em dois grupos, um no Nordeste e outro no Sul. Existe temor no mercado, contudo, que a venda em grupos possa incentivar a criação de monopólios regionais.
Uma nota técnica do Departamento de Estudos Econômicos do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) contesta o modelo original. Segundo a equipe técnica do órgão antitruste, a alienação parcial desses ativos não criaria um “ambiente concorrencial vigoroso”. A nota sugeriu que a estatal saísse integralmente das refinarias colocadas à venda, fizesse também algum tipo de desinvestimento no Sudeste e indicou que seria importante vender as refinarias para agentes diferentes, ao invés de se criar “quase monopólios regionais”.
A Petrobras já informou que pretende vender oito refinarias que totalizam capacidade de refino de 1,1 milhão de barris por dia: Rnest (PE), Unidade de Industrialização do Xisto (SIX), no Paraná, a Rlam (BA), Regap (MG), Repar (PR), Refap (RS), Reman (AM) e Lubnor (CE).
Ficaram de fora da lista as refinarias dos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo, além da refinaria potiguar Clara Camarão. Juntas, essas seis unidades representam metade da atual capacidade de refino da Petrobras.
O presidente da petroleira, Roberto Castello Branco, afirmou, em entrevista à GloboNews, na sexta-feira, que espera arrecadar cerca de US$ 15 bilhões com a venda das refinarias e que prevê concluir o desinvestimento em um ano e meio.
Segundo o Bradesco BBI, a reação negativa no mercado após a recente interferência do presidente Jair Bolsonaro no reajuste do preço do diesel da Petrobras pode espantar alguns compradores, mas que um eventual sucesso na aprovação da reforma da previdência pode ajudar a criar um clima mais favorável aos desinvestimentos.
“Acreditamos que os atuais problemas que a Petrobras teve em elevar os preços domésticos do diesel podem afetar a venda destas refinarias, mas como o diretor-presidente [da Petrobras] disse que o processo deve levar 18 meses, isto dá tempo de o Brasil votar a reforma da Previdência, que deve diminuir a pressão do câmbio sobre os preços dos combustíveis, dando margem de manobra para trabalhar em uma política de preços mais sustentável no longo prazo", cita o banco, em relatório.