Petrobras e Shell pagam R$ 8,8 bi por dois lotes de áreas do pré-sal

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Um terceiro lote não atraiu interessados e valor arrecadado ficou abaixo dos R$ 10, 2 bi esperados pela equipe econômica

O Estado de S. Paulo 

Em consórcio, Petrobras e Shell arremataram ontem em leilão na Bolsa de Valores (B3) dois dos três lotes de áreas não contratadas da União, localizadas na bacia de Santos, no polígono do pré-sal. Sem concorrentes, as empresas desembolsaram aproximadamente R$ 8, 8 bilhões pelos direitos de exploração dos campos de Mero (Lote 1) e Atapu (Lote 3), que foram ofertadas pela Pré-Sal Petróleo (PPSA).

Estava previsto ainda o leilão do Lote 2 (Tupi), mas o ativo não atraiu interessados. Com isso, o valor total arrecadado ficou abaixo dos R$ 10, 2 bilhões mínimos previstos em edital, somando os três lotes. E frustrou também as expectativas da equipe econômica, que considerava o valor de R$ 10, 2 bilhões projetado para a concessão dos três lotes crucial para cumprimento da meta fiscal neste ano.

O Tribunal de Contas da União (TCU) havia autorizado a realização do leilão dos direitos sobre os campos. Apesar do aval, o relator do processo na Corte, ministro Jorge Oliveira, classificou como “preocupante” o fato de o governo chegar ao fim do ano dependendo de um leilão inédito e complexo para fechar suas contas.

O consórcio Petrobras/Shell ofertou R$ 7, 79 bilhões pela totalidade da fatia pertencente à União no Campo de Mero, hoje equivalente a 3, 5%. O valor equivale a um deságio de 1, 9% ante o valor mínimo estipulado para o lote, que era de R$ 7, 64 bilhões.

Na sequência, as duas empresas arremataram também a participação de 0, 95% no Campo de Atapu, aqui com um ágio mais relevante, de 16%. O consórcio ofereceu aproximadamente R$ 1 bilhão ante a cifra mínima estabelecida, que era de R$ 863, 3 milhões.

Petrobras já opera nos campos do pré-sal de Mero e Atapu. A companhia tem na exploração dessas áreas parceiros como Shell, Total, CNOOC, CNODC e a Galp, a depender da área. Assim, os vencedores não passarão a integrar os consórcios dos campos já contratados. Eles apenas assumem, no lugar da União, os direitos econômicos sobre a produção atribuída às áreas não contratadas.

BAIXO RISCO. O leilão de ontem, promovido pela PPSA, tinha por objetivo otimizar a gestão dos ativos da União já em produção, promovendo maior eficiência econômica e atraindo investimentos privados para campos de alta produtividade e baixo risco.

A assinatura dos contratos comas vencedoras está prevista para ocorrer até 4 de março de 2026 e as empresas que adquiriram a parcela da União passarão a fazer parte do consórcio operacional da jazida a partir de 1. º de março de 2027.

Além do pagamento do valor da proposta de preço, as vencedoras estão sujeitas, ao longo da vigência do contrato, ao pagamento de valores complementares – extraordinários (earn-out) à União. Entre eles, o pagamento Contingente Brent, que será devido sempre que a média anual do preço do Petróleo tipo Brent, para um determinado ano calendário, exceder o valor mínimo de U$ 55 por barril. e

Maior lote

R$ 7, 79 bilhões foi quanto Petrobras e Shell ofereceram pagar pela fatia pertencente à União no Campo de Mero, que hoje equivale a 3, 5% do potencial de produção de petróleo e gás da área

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