Petrobras reduz preço da gasolina em 4,9%

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21/10/2025
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O Globo

Queda do valor do combustível na refinaria deve ajudar o BC no controle da inflação, que pode ficar até abaixo do teto da meta. Se o quadro se confirmar, Gabriel Galípolo ficaria livre de escrever nova carta sobre estouro do IPCA

 

Petrobras anunciou ontem que vai reduzir o preço da gasolina para as distribuidoras em 4, 9% a partir de hoje. Assim, o preço médio de venda da empresa na refinaria passará a ser, em média, de R$ 2, 71 por litro, uma redução de R$ 0, 14. A queda no valor do combustível pode ajudar a reduzir a inflação nos próximos meses. Comisso, alguns economistas preveem que o IPCA, índice oficial, pode ficar até abaixo do teto da meta ao final de 2025, chegando a 4, 4%.

A última redução da gasolina feita pela Petrobras foi em junho, quando a estatal reduziu o preço para distribuidoras em R$ 0, 17 por litro, para R$ 2, 85. Esse é a segunda queda no ano. Segundo a petroleira, a redução acumulada no ano é de R$ 0, 31 por litro ou 10, 3%. O valor cobrado ao consumidor final, porém, não depende apenas da estatal, mas de outras variáveis, como impostos e margem do revendedor.

Na semana passada, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, foi às redes sociais comentar o preço do petróleo. Sem entrar em detalhes, afirmou que “uma figura vale mais do que muitas palavras”, ao postar um gráfico com a cotação do barril em queda. Ontem, o preço do barril do tipo Brent para entrega em dezembro caiu 0, 46%, a US$61, 01.

PARIDADE INTERNACIONAL

Com a redução do preço da gasolina, segundo dados da Abicom, que reúne os importadores, os valores praticados pela Petrobras se igualam ao do mercado.

gasolina é um dos itens de maior impacto individual na inflação, com peso de 5% no índice. Segundo André Braz, economista do FGV Ibre, em 30 dias, o reajuste irá ocasionar redução de 0,11 ponto percentual. Para ele, o impacto estará dividido entre o fim de outubro, com queda de 0,04 ponto percentual, e novembro, com redução de até 0, 7 p.p.

-lsso ajuda a inflação a convergir para a meta até porque é um subitem que tem bastante peso – disse o economista Matheus Dias, do Ibre.

Já para Andréa Angelo, estrategista de inflação da Warren Investimentos, o impacto será praticamente integral em novembro. Se antes sua expectativa era de 0, 18% nesse mês, com a revisão, o IPCA deve ficar em 0, 10% no penúltimo mês do ano. Para outubro, a economista já previa um número baixo (0, 13%). Por fim, para o final de 2025, a inflação foi revisada de 4, 5% para 4, 4%, de forma que ficaria abaixo do teto da meta.

Com isso, o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, pode escapar de redigir uma carta por estourar o teto da meta da inflação. No regime de meta contínua, é necessário que ele redija o documento caso a inflação fique fora do intervalo por seis meses seguidos. Como a última carta foi escrita em julho desde ano, o BC teria que escrever uma nova em janeiro, se o índice superasse os 4, 5%. Mas o cenário parece estar favorável para uma conversão à meta.

O reajuste da gasolina é apenas mais uma das pressões baixistas que os economistas veem para a inflação até o final do ano. Segundo eles, a energia elétrica não deve mais apresentar fortes altas, já que a expectativa é que retorne à bandeira verde até dezembro, e os alimentos devem se manter comportados.

– Mesmo que tenha um processo de reaceleração (do preço dos alimentos), ele vai ser menor do que ocorreu no ano passado. Ainda assim, a inflação está convergindo para a meta -afirmou Dias.

Para o economista, é possível até que haja mais reduções da gasolina, em razão da perspectiva de queda no preço do petróleo. Já Andréa avalia que seria um cenário um pouco mais improvável.

No entanto, embora já comece a ser discutida entre os economistas a possibilidade de cortes de juro esse ano, analistas ainda indicam expectativa de redução da Selic apenas na primeira reunião de 2026. A avaliação é que o BC deve esperar ter um pouco mais de confiança no cenário para depois iniciar o ciclo de queda.

Parte do mercado ainda aposta em viés mais conservador. A equipe de macroeconomia do ASA revisou projeções de 4, 7% para 4, 5%, de forma que a inflação ficaria bem no limite do teto da meta. Já os analistas do Terra Investimentos veem IPCA de 4, 96% no fim do ano, mesmo com a queda no preço da gasolina, já que a previsão anterior era de 5, 04%. Com isso, o índice estaria fora da meta.

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