Segundo a presidente da estatal, meta é atender 20% da demanda por produtos nitrogenados a partir de 2026. Executiva destacou esforços para reduzir o preço do gás natural de forma a viabilizar a retomada do trabalho nas unidades
Jornal O Globo
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, anunciou ontem a retomada das unidades de fertilizantes da Bahia e de Sergipe, as Fafens, que estavam com suas operações hibernadas desde 2023, com o fim do acordo de arrendamento com a Unigel.
Segundo Magda, cada uma vai receber investimentos de R$ 38 milhões. As duas Fafens voltarão a produzir fertilizantes já no início de 2026. Além disso, com a retomada da unidade Ansa, no Paraná, que já voltou a receber investimentos no início do ano, a meta da Petrobras é chegar a 20% da demanda de fertilizantes nitrogenados no Brasil em2026. -As unidades da Bahia e de Sergipe vão entrar em manutenção e, no começo do ano, iniciar a produção de ureia e Arla 32. E, com a Ansa, no Paraná, vamos produzir 20% de toda a demanda brasileira de fertilizantes nitrogenados. Estamos voltando, aproveitando as facilidades instaladas e retornando à operação dessas unidades em prol de uma sinergia com a Ansa, que vai usar o resíduo asfáltico, e as Fafens, com o uso do gás natural, que vem sendo cada vez mais produzido pela Petrobras – disse Magda Chambriard.
A capacidade de produção de ureia da Fafen na Bahia é de 1.300 toneladas por dia, volume suficiente para atender 80% da demanda do estado. Já a Fafen de Sergipe tem estrutura para produzir 1.800 toneladas por dia. A Ansa tem capacidade de 1.900 toneladas, volume que começará a ser produzido nos próximos dias. A demanda do país é de 8 milhões de toneladas por dia, disse a Petrobras.
ADEQUAÇÃO DE FROTA
Segundo a companhia, as unidades da Bahia e de Sergipe têm contrato de R$ 1 bilhão de operação e manutenção por cinco anos com a En-geman. Na Bahia, esse valor será de R$ 520 milhões.
-As unidades vão consumir 2,5 milhões de metros cúbicos de gás por dia da Petrobras. Estamos fornecendo um total de 50 milhões ao mercado. Há pouco tempo era bem menos, na faixa dos 30 milhões -disse Magda.
A presidente da estatal destacou os esforços para reduzir o preço do gás no mercado, para viabilizar operações de retomada das Fafens. Magda afirmou que a Petrobras acabou de firmar o primeiro contrato de venda de ureia ao agronegó-cio na região do Matopiba (formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia).
– Em 2021 ou 2022, o gás custava US$ 16 por milhão de BTUs (métrica internacional do gás). Hoje, está entre US$ 6 e US$ 7, com o preço da Petrobras para o mercado livre. Houve um grande esforço para fornecer gás a preços acessíveis. Mas isso é um negócio. Tínhamos plataformas que não tinham capacidade de exportar gás para a costa, e agora estamos ampliando essa estrutura e aprimorando contratos. As Fafens não seriam viáveis se o preço do gás não estivesse competitivo -afirmou.
Magda antecipou que a companhia vai lançar quatro embarcações de apoio entre outubro e novembro. Hoje, já há 44 unidades contratadas ou com edital em andamento.
Ela adiantou a criação de um novo programa dentro do Plano de Negócios (PNG) 2026-2030, que será anunciado em novembro. Magda revelou que, na última reunião do Conselho da Transpetro, foi aprovada a contratação de 20 barcaças e 20 empurradores.
-E um spoiler do PNG, que terá um programa de adequação de frota em benefício de melhor rendimento para os negócios da Petrobras. Não é só colocar estaleiro de pé. Na última reunião do Conselho da Transpetro aprovamos 20 barcaças e 20 empurradores para a indústria naval, para que seja um bom negócio para a companhia -disse.
A Petrobras vai anunciar hoje a contratação do estaleiro Enseada, em Maragogipe, na Bahia, para a construção de seis embarcações (dentro do plano geral de 44 unidades já divulgado pela estatal) que pertencem a Compagnie Maritime Monégasque (CMM). O contrato é de quatro embarcações de construção e 12 de operação, no valor de R$ 2,5 bilhões. O presidente da Transpetro, Sérgio Bacci, anunciou que a companhia entrará no fornecimento de bunker (combustível marítimo). Bacci destacou que, com as contratações previstas, a frota da Transpetro vai dobrar.