Folha de S. Paulo
LONDRES | FINANCIAL TIMES
Quase 60 grandes projetos de hidrogênio de baixo carbono, incluindo o “verde”, foram cancelados ou suspensos neste ano. Estão na conta iniciativas das petroleiras BP e ExxonMobil, em meio a custos altos e falta de de compradores.
Os empreendimentos cancelados ou paralisados somavam uma produção anual combinada de 4, 9 milhões de toneladas de hidrogênio limpo, segundo dados da S&P Global. Isso equivalente a mais de quatro vezes a capacidade global instalada.
Os atrasos evidenciam os desafios de ampliar uma tecnologia que há muito tempo é vista como peça-chave na redução das emissões de carbono.
“A disposição de pagar qualquer tipo de prêmio verde em tecnologias de baixo carbono simplesmente evaporou”, diz Murray Douglas, chefe de pesquisas de hidrogênio da Wood Mackenzie.
A consultoria rastreou mais de 300 iniciativas canceladas, paralisadas ou inativas desde 2020, embora Douglas ressalte que muitas eram especulativas ou de baixa qualidade.
A nascente indústria também foi afetada pela hostilidade do presidente dos EUA, Donald Trump, a projetos de energia renovável, o que resultou em cortes a subsídios prometidos por Joe Biden. Países europeus também têm sido lentos na implementação de seus planos.
O hidrogênio de baixo carbono ganhou atenção em 2020 como alternativa para descarbonizar setores como aviação, siderurgia e transporte rodoviário, além de reduzir emissões em refinarias e fábricas.
Entenda o que é hidrogênio verde Produzido com eletricidade limpa de fontes renováveis para eletrólise da água, separando o hidrogênio do oxigênio. É muito caro devido a custos como detransporte.