
Valor Econômico
O petróleo WTI, a referência americana, com entrega prevista para abril fechou a sessão desta quarta-feira (28) em baixa de 0,42%, a US$ 78,54 por barril, após o Departamento de Energia (DoE, na sigla em inglês) dos Estados Unidos informar um aumento bem maior que o esperado dos estoques da commodity. Já o petróleo Brent, a referencial global, para o mesmo mês anotou ligeira alta de 0,04%, a US$ 83,68 por barril.
De acordo com o DoE, os estoques americanos de petróleo cru aumentaram 4,199 milhões de barris na semana encerrada na última sexta-feira (23). A expectativa era por alta de 1,5 milhão de barris. O avanço acima do previsto sugere que a demanda por petróleo na maior economia do mundo tem desacelerado a um ritmo mais forte do que o mercado projeta.
Por outro lado, os estoques de gasolina no país caíram 2,832 milhões de barris, mais do que o esperado. Já os estoques de produtos destilados, como diesel e gás para calefação, recuaram apenas 510 mil barris, número menor que o previsto.
Em nota enviada a clientes, o analista-sênior Santosh Budankayala, da Rystad Energy, destaca que o período de 2020 a 2024 foi marcado por uma redução do investimento em exploração de petróleo cru e gás natural por grandes empresas do setor, como as americanas ExxonMobil e Chevron.
De acordo com ele, o investimento deve cair de US$ 10 bilhões para US$ 7 bilhões por ano, na comparação com o quadriênio anterior. “As principais empresas do setor de petróleo e gás continuarão a ser cautelosas nos gastos com exploração este ano, com a atividade de perfuração preparada para um ano que vem mais movimentado”, diz Budankayala.
Além dos sinais para a demanda, o mercado segue de olho na oferta global de petróleo, em meio aos rumores de que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) possam estender os seus cortes de produção para além do primeiro trimestre. Há especulação até de que o cartel decida estender sua política atual até o fim do ano.