Pressão por B16 e por reajuste da Petrobras: mercado nacional de combustíveis reage à alta do petróleo

Petrobras deve reverter perdas e fechar 2025 com lucro e dividendos
05/03/2026
Após ataques ao Irã e a escalada do petróleo, defasagem do preço do diesel no Brasil sobe a 42%
05/03/2026
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EIXOS

O mercado nacional de combustíveis está reagindo à alta no preço internacional do barril de petróleo causada pela guerra no Oriente Médio com maiores pressões para reajustes nos preços praticados nas refinarias pela Petrobras e o reforço do pleito pelo aumento da mistura de biodiesel para 16%. 
 
Três Frentes Parlamentares do agronegócio divulgaram um manifesto na quarta-feira (4/3) defendendo a elevação da mistura para 16% de biodiesel no diesel (B16). 

  • O segmento afirma que a elevação do uso do biodiesel pode diminuir a dependência da importação de combustíveis e minimizar a exposição cambial.
  • O aumento já está previsto na Lei do Combustível do Futuro, mas depende de uma decisão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE)

Já as refinarias privadas e importadores de combustíveis estão operando com prejuízo, pois os preços praticados pela Petrobras para o diesel e a gasolina estão muito abaixo do mercado internacional. 

  • Cálculos da Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom) indicam que o cenário é mais grave para o diesel, justamente o derivado em que o Brasil tem maior dependência do exterior. 
  • Dados da associação indicam que o diesel vendido pela estatal estava 42% abaixo das cotações internacionais no fechamento de terça (3/3), com necessidade de um reajuste de R$ 1,37 por litro. A Petrobras não altera os preços do diesel desde maio de 2025. 
  • Já para a gasolina a defasagem era de 18%, correspondente a R$ 0,45 por litro. O combustível teve um reajuste no final de janeiro, quando a Petrobras reduziu os preços em 5,2%. 
  • Hoje, o Brasil importa cerca de 600 mil barris/dia de derivados, para suprir cerca de 20% da demanda nacional, sobretudo de diesel. 

Os refinadores privados acabam seguindo preços similares aos praticados pela Petrobras, já que a companhia é responsável por suprir 60% do mercado. 

  • “As refinarias domésticas aqui no Brasil não vão ficar indefinidamente produzindo e vendendo para perder dinheiro” diz Evaristo Pinheiro, presidente da Refina Brasil, entidade que representa as empresas privadas nesse setor no Brasil. 

A Petrobras segue indicando que evita internalizar volatilidades externas para o preço dos combustíveis brasileiros. 

  • No entanto, caso se confirmem os novos patamares nas negociações internacionais, a estatal vai precisar alterar os preços. 
  • Na quarta (4), o Brent para maio fechou a US$ 81,40 o barril, estável em relação ao dia anterior. 

Impactos no LRCAP. O fechamento do Estreito de Ormuz, devido ao conflito no Irã, e os desdobramentos no mercado internacional alteram como os supridores de gás natural estão posicionados para o leilão de reserva de capacidade, na visão do sócio-diretor da A&M Infra, Rivaldo Moreira Neto. Assista à íntegra do debate promovido pelo estúdio eixos sobre o tema.
                                                             
Ainda sobre a guerra. Um navio-tanque russo carregado com gás natural liquefeito (GNL) afundou no Mediterrâneo nesta quarta-feira, após o que Moscou descreveu como um ataque de drones ucranianos lançados da Líbia. (Reuters/Valor Econômico)
 
Gás boliviano em Pernambuco. A PetroReconcavo iniciou os primeiros testes de importação de gás natural da Bolívia. A companhia importou 100 mil metros cúbicos entre os dias 1º e 2 de março, para suprimento à Copergás. 

  • A distribuidora pernambucana de gás canalizado é cliente firme da petroleira. 

Interdição na Refit. A 11ª Turma do TRF-1 acolheu parcialmente o pleito da Refit e decidiu que a ANP deverá realizar nova votação sobre o impedimento do diretor Pietro Mendes e da diretora Symone Araújo no caso da interdição da refinaria.

Petróleo de Bacalhau. A PPSA marcou para 15 de abril a segunda etapa do primeiro leilão do petróleo da União no campo de Bacalhau, no pré-sal da Bacia de Santos.

  • A estatal vai comercializar um milhão de barris de petróleo, com embarque da carga previsto para junho. 

Recorde nos EUA. A produção de etanol nos Estados Unidos atingiu recorde de 16,49 bilhões de galões (62,4 bilhões de litros) em 2025, aumento de 1,66% em relação a 2024, de acordo com dados da Administração de Informação de Energia.

  • O desempenho foi impulsionado pelo aumento do consumo interno e por exportações históricas. 

Prioridade para mapa do caminho. A Frente Parlamentar Ambientalista e o Observatório do Clima lançaram na quarta (4), na Câmara dos Deputados, a Agenda Legislativa 2026. O documento reúne o apoio de parlamentares e cerca de 160 organizações da sociedade civil. 

  • Entre as propostas consideradas urgentes está o Projeto de Lei 6615/25, que cria um “mapa do caminho” para o Brasil substituir gradualmente a produção e o uso de combustíveis fósseis.

Salvaguardas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou na quarta-feira (4) o decreto 12.866 que regulamenta, pela primeira vez, os procedimentos para a investigação e aplicação de salvaguardas bilaterais.

  • A medida chega em meio ao processo de ratificação, pelo Congresso Nacional brasileiro, do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. 

Alternativa à China. A Comissão Europeia publicou na quarta (4) sua proposta para alavancar a demanda por tecnologias de baixo carbono fabricados no bloco, a chamada Lei do Acelerador Industrial (IAA, em inglês). É uma resposta direta à concorrência chinesa, que já domina mercados como o de paineis fotovoltaicos e carros elétricos. Leia na newsletter diálogos da transição

Por falar em China… A estratégia chinesa para o hidrogênio verde pode redefinir o padrão global de competitividade do setor, na avaliação da Abihv, que vê no chamado “modelo chinês” um potencial divisor de águas para a nova economia do hidrogênio.

  • Em documento publicado recentemente, a entidade descreve a China como um caso emblemático de “capitalismo de Estado adaptativo”, com diretrizes estratégicas centralizadas, mas execução descentralizada, conduzida por províncias. 

Risco de energia mais cara. O Brasil precisa alinhar planejamento de longo prazo e investimentos no setor de energia para que a oferta renovável consiga acompanhar a demanda crescente que chega com a inteligência artificial e a eletrificação, avalia Mathieu Piccin, diretor da Schneider Electric Advisory Services.

  • Durante evento promovido pela CNI, nesta quarta (4/3), o executivo alertou que há um atraso nas metas de descarbonização das empresas e que a compra de energia renovável está se tornando um desafio.

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