Produção menor vai afetar Petrobras no 1º tri

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07/05/2019
Petrobras fecha 1º trimestre com queda de 5% na produção de petróleo no país
07/05/2019
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Fonte: Valor Econômico

A Petrobras deve reportar um resultado mais fraco no primeiro trimestre deste ano, em relação a igual período de 2018, de acordo com analistas consultados pelo Valor. A queda na produção de petróleo, motivada por paradas programadas de plataformas, deve pesar negativamente no resultado da Petrobras no período, cujos números serão divulgados hoje, após o fechamento do mercado financeiro. Também influenciarão o balanço a provisão de R$ 1,3 bilhão relativa aos litígios envolvendo a empresa de sondas Sete Brasil e a nova norma contábil IFRS 16.
Na parte operacional, a companhia fechou o primeiro trimestre com queda de cerca de 5% na produção no Brasil, frente a igual período do ano passado. De acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a estatal produziu, em média, 1,871 milhão de barris diários entre janeiro e março.
A autarquia não explicou os motivos para a queda da produção no primeiro trimestre. A Petrobras, por sua vez, não tem divulgado, nos últimos meses, os seus dados operacionais. No site da companhia, contam apenas as informações de produção de janeiro.
Na ocasião da última divulgação dos dados operacionais, a petroleira afirmou que a produção de janeiro havia sido impactada, principalmente, pela realização de manutenções nas plataformas P-74, Cidade de Mangaratiba, Cidade de São Paulo (no pré-sal da Bacia de Santos), Cidade de Niterói e P-58 (Bacia de Campos).
A produção total de óleo e gás da companhia somou 2,426 milhões de barris diários de óleo equivalente (BOE/dia) em março, o que representa alta de 4,7% frente a fevereiro, segundo a ANP. Nos três primeiros meses do ano, no entanto, houve uma retração de 3,5%, para uma média de 2,408 milhões de BOE/dia.
Com uma produção mais fraca da Petrobras nos primeiros três meses do ano, o BTG Pactual projeta lucro líquido ajustado da petroleira no período de R$ 5,9 bilhões, com queda de 19% ante o primeiro trimestre de 2018. Para o banco, a receita deve somar R$ 74,5 bilhões, alta de 6%, e o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebtida, na sigla em inglês) deve chegar a R$ 25,7 bilhões, praticamente estável.
“A boa notícia é que acreditamos que a maior parte do problema é reflexo da volatilidade do Brent, que afeta o resultado de refino, e as paradas de produção, que representam a principal causa da queda de 1,5% na produção de petróleo e gás no Brasil, de acordo com nossas estimativas”, informa o BTG Pactual, em relatório assinado pelos analistas Thiago Duarte, Pedro Soares e Daniel Guardiola.
Na mesma linha, o UBS prevê que a Petrobras reportará um resultado mais fraco na comparação trimestral, devido à menor produção de petróleo e pelos menores preços da commodity. O banco, no entanto, enxerga a possibilidade de recuperação da produção da companhia em março, com uma tendência de alta no segundo trimestre.
O J.P. Morgan também tem uma visão otimista para a produção da Petrobras ao longo do ano, mas entende que o crescimento da produção de três plataformas da companhia que iniciaram o funcionamento neste ano ainda não foi capaz de compensar o impacto de outras unidades que estiveram em manutenção no período.
A casa de análise espera ainda uma performance tímida da Petrobras em refino, puxada pelo menor volume de vendas e pelas margens ainda afetadas pela realização de custos altos de estoques, mesmo que em ritmo menor que o do quarto trimestre de 2018. O BTG também espera que a área de refino tenha resultados fracos no trimestre devido aos preços mais baixos de combustíveis, mas aponta que isso deve ser revertido no segundo trimestre se os preços do petróleo continuarem elevados.
Ainda sobre o refino, o Itaú BBA estima que a participação de mercado da Petrobras deve crescer em diesel, refletindo a tendência de declínio de importações. O banco projeta uma média de utilização da capacidade instalada das refinarias da estatal de 76%. O UBS também espera que os negócios de refino da empresa sejam afetados negativamente pelos menores volumes na base trimestral, mas com recuperação na taxa de utilização da capacidade, alcançando 80%.
Do ponto de vista contábil, o resultado da Petrobras deve sofrer influência da entrada em vigor da nova norma IFRS 16, que altera o padrão de reconhecimento contábil das operações de arrendamento e locações.
Com a mudança, o Credit Suisse prevê aumento em US$ 28 bilhões do saldo da dívida financeira e do ativo imobilizado da Petrobras. Dessa forma, haverá uma reclassificação do fluxo de caixa: US$ 7,2 bilhões que estavam em fluxo de caixa das operações vão para fluxo de caixa de financiamento.
Os analistas do banco destacam ainda que os resultados da estatal no primeiro trimestre serão afetados pela provisão de R$ 1,3 bilhão relacionada ao caso da Sete Brasil.

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