EIXOS
O governo anunciou na quinta-feira (12/3) um pacote de ações para conter os impactos da alta dos preços do petróleo e combustíveis causada pela guerra no Oriente Médio. Ainda não está claro, no entanto, os efeitos em cascata e na economia real e o mais importante: qual será a redução no diesel de fato percebida pelos consumidores.
Uma das preocupações do governo — sobretudo em um ano eleitoral — é garantir que os benefícios não sejam absorvidos ao longo da cadeia e deixem de chegar às bombas.
As medidas também abrem o caminho para que a Petrobras reajuste, enfim, os preços de acordo com a nova realidade internacional. Haddad deixou claro que uma prioridade foi não interferir na política de preços da estatal.
No entanto, isso não quer dizer que a petroleira não vai sentir impactos negativos: a estatal exporta grande parte da produção e, com o imposto, o petróleo brasileiro fica menos competitivo no mercado internacional.
Para as outras petroleiras que atuam no Brasil, a lógica é de que o imposto impacta a segurança jurídica para investimentos. E que haveria outros caminhos para bancar a conta, como o aumento da arrecadação com royalties e participações especiais.
Os importadores alertam ainda que a isenção de impostos pode não resolver o problema da assimetria concorrencial entre o produto da Petrobras e aquele que é importado ou refinado por outras empresas. Tudo vai depender do reajuste que a empresa aplicar sobre o diesel.
Mas, do lado das refinarias privadas, a sinalização é positiva: com o imposto sobre as exportações, o governo busca estimular o uso da produção nacional para o processamento interno.
Vale ainda ficar de olho em qual vai ser a estratégia dos governos estaduais, que aumentaram o ICMS em janeiro e agora terão um aumento ainda maior que o esperado na arrecadação.
Já o agronegócio fica com um gosto agridoce: o setor não conseguiu emplacar o pleito pelo aumento da mistura de biodiesel e de etanol ao diesel e gasolina.
Barril acima de US$ 100. O petróleo subiu 9% na quinta-feira (12), à medida que crescem as tensões acerca da navegabilidade no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de escoamento da commodity.