Mercado calcula que defasagem dos combustíveis persiste

Petrobras tem autonomia para definir preços de combustíveis, diz conselho
10/02/2021
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Segundo analistas de mercado, mesmo após o reajuste promovido pela Petrobras de 6,2% para o diesel, 8,2% para a gasolina e 5% para o GLP nas refinarias, a companhia continua praticando preços abaixo da referência internacional.

— A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) estima que o litro do diesel vendido pela empresa ainda está R$ 0,23 abaixo do preço de paridade de importação (PPI). Para a gasolina, a defasagem é de R$ 0,07.

— A XP Investimentos calcula que o preço do diesel está 14% inferior à paridade, enquanto a StoneX ainda vê perspectiva de alta de R$ 0,19. Valor

— Na queda de braço entre o governo federal e os estados, o secretário de Fazenda de São Paulo, Henrique Meirelles, afirmou, em entrevista à CNN Brasil, que o ICMS não é o responsável pela volatilidade dos preços.

— “A variação na bomba, para o consumidor, é resultado da política de preços da Petrobras. Isso varia de acordo com o mercado de oferta e demanda, a cada momento. Os países têm critérios de amortização. Isso gera, evidentemente, uma volatilidade muito grande”, disse.

— Como candidato à presidência, em 2018, Meirelles propôs a criação de Mecanismo Automático de Amortecimento de Preços (MAAP), que poderia ser implementado por meio de subvenção econômica com utilização de fundos para bancar a diferenciação dos preços praticados pela Petrobras. Proposta similar agora está na agenda do governo.

— Em outra frente, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) anunciou na semana passada que entregaria um projeto para que o ICMS estadual seja cobrado nas refinarias, e não nas bombas, e defendeu a cobrança de um valor fixo do ICMS por litro.

— Em resposta, o Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) divulgou nota reforçando que o aumento dos preços dos combustíveis não tem qualquer relação com a política tributária dos estados.

— “São fruto da alteração da política de gerência de preços por parte da Petrobras, que prevê reajustes baseados na paridade do mercado internacional, repassando ao preço dos combustíveis toda a instabilidade do cenário externo do setor e dos mercados financeiros internacionais”, disse o Comsefaz. UOL, com Estadão Conteúdo

— Na avaliação do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), o aumento dos preços dos combustíveis anunciados pela Petrobras revelam total falta de estratégia do governo federal e da empresa, ignorando a estrutura de mercado brasileira em relação a outros países.

— Segundo o Ineep, entre os países com expressiva produção de petróleo, como o Brasil, os preços dos combustíveis são reajustados com menor frequência, porque as empresas estatais administram suas políticas de preços de olho na paridade internacional num longo prazo, e sem trazer a volatilidade para o mercado interno.

Ibovespa ainda sofre com Petrobras O Ibovespa fechou a terça (9/2) com queda discreta, com as ações da Petrobras mais uma vez entre as maiores pressões de baixa. O índice caiu 0,19%, a 119.471,62 pontos, após subir a 119.974,93 pontos na máxima e recuar a 118.245,64 pontos na mínima da sessão.

— Petrobras PN e Petrobras ON recuaram 2,03% e 2,6%, respectivamente, ampliando as perdas da véspera, em meio a receios entre agentes investidores sobre a política de preços da empresa.

— Outro recuo de ação do setor foi registrado pela PetroRio ON, que caiu 4,13%. Investing.com, com Reuters

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