Transição energética abre mercado para o gás natural

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Fonte: O Globo

Como atender à demanda crescente por energia e, ao mesmo tempo, emitir menos carbono? O desafio que não se restringe à indústria de óleo e gás é considerado “gigantesco” pela diretora do IBP e sócia da Catavento Consultoria, Clarissa Lins, quando confrontado com o Acordo de Paris, firmado pelos países em 2015. Até 2040, prevê a Agência Internacional de Energia (AIE), o consumo energético no mundo pode crescer 28%, mas as emissões devem cair 57%, para que a temperatura da Terra fique apenas 2% acima do nível anterior à Revolução Industrial.
Clarissa Lins destacou na palestra “Transição energética; perspectivas globais e contexto brasileiro” que o gás natural emerge como o “combustível da transição” no processo rumo à economia de baixo carbono. Diante das tecnologias disponíveis e de seus custos, assinalou, as respostas globais ao desafio apontam para a diversificação de fontes de energia, incluída cada vez mais a eletricidade. Ao mesmo tempo, o gás natural torna-se alternativa para a redução do uso do carvão mineral e de derivados de petróleo, junto com a geração solar, eólica e outras fontes renováveis.
Enquanto o gás natural ganha força na transição, o petróleo tem pico de consumo previsto para meados da próxima década, seguido por queda da procura, para chegar a 2040 com participação prevista de 23% na matriz energética do planeta, contra atuais 32%.
— O mundo ainda não encontrou uma solução energética para retirar da matriz essas duas fontes, mas tem havido reequilíbrio entre óleo e gás, que desponta como fonte fóssil menos emissora, capaz de nos levar a esse caminho da transição energética.
Além do Acordo de Paris, a nova geopolítica do clima também impulsiona a transição energética, segundo Clarissa Lins. Marcas desse cenário são a ascensão da China em energias renováveis, a queda do desempenho ambiental dos países europeus e o abalo da liderança econômica dos Estados Unidos. Em diversos países, a cruzada pela descarbonização ocupa a pauta tanto dos governos, com restrições ao uso de gasolina e diesel, quanto das grandes empresas, com a adoção de energias limpas, às vezes por pressão de consumidores e investidores. O quadro global abre oportunidades para o Brasil, incluído o setor de óleo e gás.
— O país pode ser uma liderança muito forte e efetiva na agenda de transição — destacou, reforçando a necessidade de adoção de estratégia governamental. Além de dispor de uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, na qual 43% das fontes são renováveis (hidráulica e biomassa), o Brasil têm suas emissões geradas mais pelo desmatamento e mau uso da terra do que pelo consumo de energia, embora quase toda a logística de cargas seja movida a diesel.
— O gás natural tem caminho aberto na diversificação das fontes de energia no país, com ênfase nas renováveis, em sintonia com as metas de emissões e as demandas da expansão da economia – previu ela, afirmando que as fontes menos intensivas em carbono crescerão mais do que as mais intensivas.
Para Clarissa, a indústria de óleo e gás tem papel chave a cumprir nesta transição. Alavancando a produção no pré-sal, reforçou, o setor pode diversificar o mix energético em favor do gás e deve atuar também com energias renováveis e seguir investindo em conhecimento.
“O gás natural tem caminho aberto na diversificação das fontes de energia no país, com ênfase nas renováveis, em sintonia com as metas de emissões e as demandas da expansão da economia.” CLARISSA LINS, DIRETORA DO IBP

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