Fonte: O Globo
Fonte de 53% de todo o petróleo e gás natural extraído nas bacias sedimentares brasileiras, o pré-sal voltou a ser a grande estrela do cenário que trouxe ânimo novo à indústria de petróleo e gás no país, após a retomada dos leilões de áreas exploratórias pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Até 2054, os investimentos deverão chegar a R$ 1,8 trilhão e a arrecadação, a R$ 6 trilhões.
— São R$ 167 bilhões ao ano, o que equivale ao déficit fiscal atual do país. O Brasil precisa converter esse potencial em recursos para retirar milhões de pessoas da pobreza — afirmou o diretor-geral da ANP, Décio Oddone, durante palestra no seminário “Debates do Brasil – Os caminhos do futuro do óleo e gás no país”, realizado pelo GLOBO com apoio do Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP), no dia 28 de agosto, no auditório da Maison de France, no Rio.
O evento contou ainda com palestras do presidente do IBP, José Firmo, da presidente do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC), Suzana Kahn Ribeiro, e da diretora do IBP, Clarissa Lins. Firmo ressaltou que o país tem uma chance rara de transformar parte de suas reservas em riqueza, antes de 2035, quando começará o declínio da procura mundial por óleo e gás.
— Há poços no pré-sal com capacidade para produzir 58 mil barris por dia. Isso não existe em lugar nenhum do mundo. Aproveitar esta janela de oportunidades é uma decisão estratégica que o governo precisa tomar.
Essa riqueza escondida no subsolo da costa brasileira pode ajudar a financiar a transição energética no país rumo a uma economia com menos emissões de carbono, em linha com o compromisso mundial de conter o aumento da temperatura do planeta em 2% acima dos níveis pré-industriais.
— O setor de petróleo também pode se apropriar disso— sugeriu Suzana Kahn, professora da Coppe/UFRJ, sugerindo o uso da geração eólica na eletrificação das plataformas, em substituição ao combustível fóssil.
Atender à demanda crescente por energia e simultaneamente emitir menos carbono são desafios “gigantescos” para a indústria petrolífera, na avaliação de Clarissa Lins, que considera o gás natural uma fonte fóssil menos emissora, capaz de levar o país ao caminho da transição energética.
— O gás natural tem caminho aberto na diversificação das fontes de energia, com ênfase nas renováveis, em sintonia com as metas de emissões e as demandas da expansão da economia.
Após cada painel, os palestrantes debateram os programas de governo para o setor dos candidatos a presidente Henrique Meirelles (MDB) e Guilherme Boulos (PSOL), com seus assessores econômicos, respectivamente, José Marcio Camargo e Marco Antônio Rocha. O evento foi mediado pela jornalista do Globo Flávia Barbosa.