Fonte: Valor Online
Com sinais de continuidade em relação à gestão anterior, o novo presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, listou ontem como prioridades de sua administração a venda de ativos, redução do nível de endividamento, aumento da produtividade, meritocracia e segurança e proteção do meio ambiente. Segundo o executivo, a companhia deve continuar buscando parcerias com outras petroleiras e analisar a possibilidade de venda de ativos, principalmente que não sejam da competência principal da empresa, que é a exploração e produção de óleo e gás em águas profundas. Já a privatização da holding não está em pauta.
"Se a Petrobras é a dona natural de ativos de petróleo e gás em águas profundas e ultraprofundas, isso parece ser duvidoso para os campos maduros terrestres e em águas rasas, assim como para o midstream [logística] e o downstream [refino e abastecimento]. Tais ativos devem ser objeto de análise para inclusão no programa de gestão do portfólio da companhia com vistas ao desinvestimento", disse Castello Branco, em discurso na cerimônia de posse, na sede da companhia, no centro do Rio de Janeiro. "No futuro próximo não estaremos sozinhos na indústria do refino", projetou.
Questionado posteriormente por jornalistas sobre o programa de venda de ativos de refino e da possibilidade de privatização do controle da BR Distribuidora, o executivo disse, porém, que os dois assuntos ainda serão analisados. "Vamos proceder a uma profunda análise dos ativos para então, com base no resultado desse exame, fazer o que está consistente com a estratégia da companhia", disse.
Sobre o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), o executivo afirmou não ter "nenhuma definição" ainda sobre o empreendimento. Atualmente a Petrobras possui um acordo com a chinesa CNPC para avaliar a retomada das obras da refinaria, em Itaboraí, na região metropolitana do Rio de Janeiro. Perguntado sobre sua opinião em relação ao plano de negócios da Petrobras para o período 2019-2023, que prevê investimentos de US$ 84,1 bilhões e desinvestimentos de US$ 26,9 bilhões no período, Castello Branco disse que, em princípio, o documento é "muito bom", mas que ele terá a possibilidade de analisá-lo com maior profundidade.
Segundo ele, a prioridade da destinação dos recursos obtidos com desinvestimentos será o abatimento de dívida e o financiamento de investimentos em ativos da atividade principal da companhia: a exploração e produção em águas profundas.
O economista salientou a importância da saúde financeira da companhia, que chegou a ter uma das maiores dívidas corporativas do mundo. "Dada sua importância na economia brasileira, a Petrobras não só é afetada como também afeta o risco do crédito soberano do Brasil. A melhoria de sua percepção de risco influenciará positivamente o custo do capital para toda a economia brasileira."
Na linha da continuidade em relação à gestão de Pedro Parente e Ivan Monteiro, o novo presidente da Petrobras defendeu a prática de preços de combustíveis em paridade com o mercado internacional. "Preços de combustíveis obedecerão à paridade internacional, um sonoro 'não' aos subsídios e um sonoro 'não' à exploração de poder de monopólio."
Questionado ainda sobre a negociação do acordo da cessão onerosa com a União, Castello Branco disse que vai aguardar o novo governo se estabelecer para depois discutir o assunto. "A cessão onerosa será tratada pelo novo governo. Somos uma parte do acordo. Vamos aguardar o novo governo se estabelecer. Vamos ter oportunidade de discutir isso depois."
Presente à cerimônia, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, disse que pretende concluir em até 100 dias a negociação com a Petrobras e a definição do megaleilão do excedente da cessão onerosa. Ele admitiu que a estatal será credora na negociação.
Participaram da cerimônia o ministro da Economia, Paulo Guedes, o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, o diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Décio Oddone, representantes da Marinha, entre outros.