Fonte: Gazeta do Povo
Muito antes da Tesla, de Elon Musk, carros elétricos já circulavam pela ruas de várias cidades nos Estados Unidos. Em 1901 estima-se que 38% dos veículos eram elétricos, diante do 40% dos movidos a vapor e 22%, a gasolina.
O resultado eram ruas mais limpas e menos impregnadas de mau cheiro e sujeira, com a troca das carruagens puxadas por cavalos por opções a motor e a bateria. Só para ter uma ideia, apenas na cidade
Em 1915 Washington tinha 1.325 carros elétricos, aproximadamente o mesmo número que Detroit. Ficava atrás apenas de Chicago, com 4 mil elétricos, e de Nova York, com 3,2 mil. A esposa do presidente William Howard Taft (mandato entre 1909 e 1913) dirigia um modelo elétrico, bem como a do sucessor Woodrow Wilson (1913-1921).
Em Washington, "o público automotivo teve um despertar e descobriu que o veículo elétrico realmente é uma realidade”, disse R. Emerson, da Emerson & Orma, concessionária local do modelo Detroit Electric, produzido pela Anderson Electric Car Co.
As mulheres eram as principais condutoras desse tipo de veículo. Os componentes eram mais limpos, mais silenciosos e mais fáceis de dirigir do que os a vapor e, especialmente, a gasolina, que expeliam fumaça e precisavam ser acionados com uma manivela.
A socialite de Denver, Margaret Whitehead, dirigiu uma Fritsche Electric porque, segundo ela, uma senhora "pode usar sem medo um vestido de tecido menos resistente e um calçado mais delicado, pois quando chegar ao destino estará imaculada e o penteado tão sereno como quando saiu de casa.”
As primeiras famílias em Washington também influenciaram as tendências dos carros. O presidente Howard Taft preferia circular num grande carro conversível, modelo White M, feito pela White Motor Co.
Mas sua esposa, Helen, começou a dirigir em 1909 um carro Baker Queen Victoria Electric de dois lugares. O carro da primeira-dama, fabricado pela Baker Motor Vehicle Co., tinha estofamento azul e o brasão dos EUA pintado nas portas.
A senhora Taft substituiu o Baker em 1912 por um novo. Um jornal publicou: "O uso de um carro elétrico pela esposa do presidente, sem dúvida, dará um grande impulso ao negócio de veículos elétricos”.
O presidente Wilson, que assumiu o cargo em 1913, escolheu o modelo a gasolina Pierce Arrow como a limusine presidencial. Mas Wilson, que nunca aprendeu a dirigir, às vezes andava por Washington em um Milburn Light Electric, fabricado pela Milburn Wagon Co. Seus agentes do Serviço Secreto também dirigiam Milburns.
A primeira esposa de Wilson, Ellen, que morreu em 1914, e sua segunda esposa, Edith, dirigiram Baker Electric, de Helen Taft. A segunda senhora Wilson, antes de se casar com o presidente, teria sido a primeira mulher a dirigir um carro elétrico no distrito de Columbia, em 1904.
Elon Musk do passado
Os proprietários de carros elétricos carregavam seus veículos em estações de recarga, a maioria localizada nas concessionárias de automóveis. Montadoras de carros elétricos, como Oliver Frichtle, em Denver, divulgavam que seus carros poderiam percorrer longas distâncias com uma única carga de bateria.
Frichtle era o Elon Musk do seu tempo. Musk prometeu enviar um Tesla sem motorista, apenas na condução autônoma, de Los Angeles a Nova York. Em 1914, Frichtle dirigiu um de seus carros da cidade de Lincoln, no Nebraska, até a Big Apple, numa distância de 2,9 mil quilômetros em 29 dias. Ele recarregou a bateria em estações ao longo do caminho e calculou a média de cerca de 90 km por carga.
Anúncios de carros elétricos foram publicados em jornais de Washington. Uma publicidade de 1914 ostentava que os compradores da Detroit Electric, incluíam o inventor Thomas Edison e Henry Ford, que fabricavam carros a gasolina em Detroit.
Carro elétrico que pertenceu à esposa de Henry Ford.
Ford comprava um Detroit Electric a cada dois anos para sua esposa Clara. Ela preferia os elétricos mais limpos aos carros fumegantes que seu marido produzia. O veículo dela tinha uma cadeira especial para o filho de Ford, Edsel.
Os veículos ‘verdes’ do passado melhoraram a partir dos primeiros modelos que "transportavam algumas toneladas de baterias de armazenamento que tracionavam as quatro rodas e quase eliminava a velocidade de caracol”, disse W.C. Anderson, presidente da Anderson Electric Car Co, em 1912. "Não há dúvida de que o veículo elétrico tem um grande futuro”, dizia à época.
Mas Anderson estava errado. Os carros elétricos começaram a perder seu apelo depois que a Ford começou a produção em massa de seu exemplar a gasolina T. Em 1912, o Modelo T foi vendido por US $ 650, comparado com US $ 1.750 para uma opção elétrica comparável. Na cotação de hoje, o Modelo T custaria US $ 17 mil diante dos US $ 47 mil pedidos pelo elétrico.
Modelo T a gasolina, feito em larga escala pela Ford, deu início à derrocada dos carros elétricos do início do século passado.
Reprodução/ Ford
Também em 1912 Charles Kettering inventou a partida elétrica para a Cadillac, eliminando a necessidade de manivelas nos carros a gasolina.
Depois veio o boom do petróleo do Texas, na década de 1920, que deixou a gasolina com preço bastante acessível. Postos de combustível surgiram em estradas por todo o país, levando o derivado do petróleo a áreas rurais que não tinham acesso à eletricidade, necessária para os veículos elétricos. Na década de 1930, os modelos elétricos haviam praticamente desaparecido.