Usina da Petrobras em Candeias deve receber mais de R$ 100 milhões em investimentos
A Bahia amplia sua participação na cadeia de biocombustíveis com novos investimentos na Usina de Biodiesel de Candeias, na Região Metropolitana de Salvador. A unidade da Petrobras Biocombustível deve receber mais de R$ 100 milhões, segundo o sindicalista licenciado e candidato a deputado federal pelo PT, Deyvid Bacelar.
O anúncio ocorre no Dia Internacional do Biodiesel, celebrado nesta segunda-feira (10), em meio à expansão da produção e ao aumento da participação de fontes renováveis na matriz energética brasileira.
Para Bacelar, o biodiesel ocupa uma posição estratégica na transição energética e também na economia baiana. Ele afirma que os investimentos previstos fazem parte de um plano mais amplo da Petrobras para o estado, envolvendo os setores de petróleo, gás, fertilizantes e biocombustíveis.
“A Petrobras anunciou a intenção de investir mais de R$ 100 milhões na Usina de Biodiesel de Candeias, aqui no nosso estado. Isso faz parte de um plano maior, com investimentos que irão superar a casa dos bilhões na Bahia nos próximos anos”, afirmou.
Inaugurada em julho de 2008, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a unidade de Candeias foi a primeira planta da Petrobras Biocombustível. Atualmente, possui capacidade autorizada para produzir 305 mil metros cúbicos de biodiesel por ano, com produção diária de até 845,46 metros cúbicos.
A capacidade anual da planta já passou de 217 milhões para cerca de 300 milhões de litros. A usina integra um parque de produção da Petrobras Biocombustível que soma 821 milhões de litros por ano.
A unidade também entrou no mercado internacional. Em 2025, realizou duas exportações de biodiesel avançado para a Europa, com embarques pelo Porto de Aratu. O combustível foi produzido a partir de óleo técnico de milho e apresentou redução superior a 84% nas emissões de gases de efeito estufa em comparação ao diesel fóssil.
A relação entre a usina de Candeias e os pequenos produtores começou ainda na implantação da unidade. Na época da inauguração, cerca de 9 mil agricultores familiares forneciam oleaginosas para a produção de biodiesel, ocupando uma área superior a 19 mil hectares no semiárido baiano.
Para Bacelar, a cadeia produtiva abriu uma nova possibilidade de geração de renda para agricultores que estavam fora do mercado formal de trabalho.
“Essa gente nunca teve emprego formal, mas entrou numa cadeia produtiva de verdade. Essa é a raiz que a gente precisa proteger e ampliar”, disse.
Mais de uma década depois, a agricultura familiar continua integrada à produção de biocombustíveis no estado. Na Chapada Diamantina, a unidade da Oleoplan em Iraquara movimenta cerca de R$ 199 milhões por ano em contratos com agricultores familiares.
O secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia, Angelo Almeida, também defendeu a expansão do setor. Ele participou de uma reunião sobre o tema com Bacelar na Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE).
Segundo o secretário, a produção em Candeias e a exportação para o mercado europeu mostram que a cadeia pode combinar atividade industrial, geração de empregos e redução de impactos ambientais.
“A Bahia tem se destacado na agenda dos biocombustíveis. O fortalecimento da produção de biodiesel em Candeias, aliado à exportação para mercados exigentes como o europeu, mostra que é possível unir desenvolvimento econômico, geração de empregos, inovação industrial e sustentabilidade ambiental”, afirmou.
O biodiesel integra obrigatoriamente o diesel comercializado no Brasil. Em 2026, a mistura obrigatória é o B15, composto por 15% de biodiesel e 85% de diesel fóssil.
Como uma das principais distribuidoras do país, a Petrobras participa da compra e mistura do biocombustível produzido por usinas brasileiras. A aquisição por meio de leilões cria demanda para a produção nacional e movimenta diferentes etapas da cadeia, incluindo a agroindústria.
Na avaliação de Bacelar, a expansão do biodiesel também pode reduzir a necessidade de importação de diesel fóssil.
“Quanto mais biodiesel entra, menos diesel fóssil a Petrobras precisa importar. Isso melhora a balança comercial e dá segurança energética”, explicou.
Além do biodiesel convencional, a Petrobras também desenvolve tecnologias para ampliar a presença de matérias-primas renováveis nos combustíveis.
Entre elas está o diesel R, produzido com tecnologia que permite processar diesel de petróleo junto a matérias-primas renováveis, como óleos vegetais e gorduras animais.
Outra alternativa citada é o biodiesel produzido a partir de óleos e gorduras residuais (OGR), incluindo óleo de cozinha usado. A utilização desses resíduos pode dar novo destino a materiais que, quando descartados de maneira inadequada, provocam impactos ambientais.
Para Bacelar, a expansão dessas tecnologias deve estar associada à geração de empregos e à qualificação profissional. Durante sua atuação na Federação Única dos Petroleiros e Petroleiras (FUP), ele participou da formulação de propostas para o Plano Clima Participativo do governo federal, incluindo uma agenda de transição energética com foco no trabalho.