Raízen abre o leque na compra de combustíveis

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Valor Econômico

Ricardo Mussa, presidente: 2023 tende a ser menos complexo que o ano passado para as distribuidoras no país

Uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país, com atuação ainda em etanol, açúcar e bioenergia, a Raízen abriu o leque de possibilidades em suprimento de combustíveis, enquanto aguarda a nova política de preços da Petrobras. Em outra frente, pretende acelerar a monetização de créditos tributários a partir do anosafra em curso, que será recorde em investimentos.

Na visão da companhia, esse é um ativo tributário que deve ser explorado sobretudo em um momento de investimento recorde, como será o ano-safra em curso. “PIS e Cofins é uma reserva de valor, que a gente espera consumir o mais rápido possível”, disse ao Valor o diretor financeiro e de relações com investidores Carlos Moura.

De abril de 2023 a março de 2024, a Raízen planeja investir de R$ 13 bilhões a R$ 14,5 bilhões no ano-safra em curso, dos quais R$ 5,6 bilhões a R$ 6 bilhões em projetos de etanol de segunda geração (E2G) e de expansão. Em 31 de março, tinha um saldo de R$ 11,9 bilhões em potenciais créditos fiscais, o grosso referente a PIS e Cofins.

No último trimestre do ano-safra de 2022/23, o reconhecimento de um crédito de R$ 3,7 bilhões em PIS e Cofins no negócio de Marketing e Serviços, que compreende a distribuição de combustíveis, impulsionou os resultados. A margem Ebitda chegou a R$ 500 por metro cúbico, de R$ 128 por metro cúbico um ano antes. Normalizada, ficou em R$ 109 por metro cúbico e não agradou aos investidores.

Para os analistas do Bradesco BBI, os resultados da unidade de negócios foram o destaque negativo do trimestre, com margens recorrentes inferiores às das concorrentes Ipiranga (Ultrapar) e Vibra (antiga BR Distribuidora). Para o BTG Pactual, os números trimestrais foram mistos, com o desempenho operacional distorcido pelo efeito tributário robusto e geração de caixa positiva.

Segundo o presidente da Raízen, Ricardo Mussa, depois do ano volátil para a distribuição de combustíveis, 2023 tende a ser menos complexo mesmo com a indefinição, até o momento, da nova política de preços da Petrobras. O movimento da estatal vai ditar o maior ou menor ritmo de importação de combustíveis e a Raízen já avalia todas as alternativas.

Desde fevereiro, quando a União Europeia impôs sanções ao diesel da Rússia, houve aumento da oferta do combustível russo no mundo, com entrada de volumes crescentes no Brasil. O comando da Raízen, contudo, não entrou no detalhe de sua estratégia de suprimento.

“Estamos olhando para todas as oportunidades de importação, de diferentes origens. Vamos ser competitivos. Mas também temos de acompanhar o que a Petrobras vai fazer, e eles não devem demorar muito para revelar” afirmou o executivo.

Junto com os resultados, a Raízen informou as estimativas para o ano-safra corrente. Em termos consolidados, o Ebitda ajustado deve ficar entre R$ 13,5 bilhões e R$ 14,5 bilhões, de R$ 15,3 bilhões. A companhia encerrou o ano-safra com receita líquida de R$ 246 bilhões, alta de 25%, e lucro líquido ajustado de R$ 3,9 bilhões, 41% acima do registrado um ano antes. Para o ano em curso, na visão do comando, o principal risco está no segundo semestre, com o potencial impacto do El Niño sobre a capacidade de processamento de cana.

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