Avaliações da Petrobras pendem para etanol de milho, o que excluiria Raízen, diz agência 

Petrobras nega projeto ou estudo de investimento em etanol ou distribuição com Raízen 
19/08/2025
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 Folha de S. Paulo 

As avaliações preliminares da Petrobras para retomar investimentos em etanol, embora não excluam o biocombustível feito a partir da cana-de-açúcar, estão mais propensas à rota do milho como matéria-prima, disseram três fontes da empresa com conhecimento do assunto.

Entre os fatores listados para o eventual favorecimento do etanol de milho estão o custo de produção em queda com a expansão dos cultivos e o forte crescimento registrado no segmento, de mais de 30% no ano passado, enquanto a fabricação de etanol de cana está praticamente estagnada, diante da concorrência com o açúcar pela matéria-prima.

Além disso, a Petrobras estaria interessada também no crescimento da produção no Norte e Nordeste, região deficitária no mercado do biocombustível, mas que registra forte aumento da produção de milho, em especial na região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia).

Se um eventual acordo caminhar mesmo para alguma aquisição de fatias em empresas produtoras de etanol de milho, isso excluiria a Raízen, que tem apenas a cana como a matéria-prima nas mais de 20 usinas em operação.

As ações da Raízen subiram mais de 10% nesta segunda-feira (18), após recuarem mais de 16% na semana passada, quando divulgou um prejuízo trimestral, com impulso de notícias de que a companhia estaria no foco da Petrobras para uma eventual aquisição de participação.

Procurada por meio da assessoria de imprensa, a Petrobras não comentou o assunto imediatamente, enquanto a Raízen disse no sábado que não iria comentar o tema.

Outras vantagens citadas para o etanol de milho estão o horizonte de crescimento da fronteira produtiva do cereal e a ausência de competição de matéria-prima com o açúcar, o que propicia estabilidade de oferta mesmo em condições de mercado favoráveis para o adoçante.

Embora a Petrobras não descarte a Raízen, já que a companhia é a maior do setor de cana, as fontes falaram que as discussões ainda não acontecem.

Outras duas fontes na Petrobras afirmaram que as negociações para a reentrada no segmento de etanol ainda são preliminares.

Petrobras afirmou anteriormente que a volta ao setor de etanol -em momento em que o Brasil passa a adotar uma mistura maior de 30% do biocombustível na gasolina– seria com participações minoritárias nos ativos, a exemplo do que aconteceu no passado.

PETROBRAS NEGA PROJETO DE INVESTIMENTO EM ETANOL COM RAÍZEN

Petrobras informou nesta segunda em comunicado ao mercado que não há qualquer projeto ou estudo de investimento em etanol ou distribuição com a Raízen, uma joint venture entre Shell e Cosan.

Os esclarecimentos foram emitidos após o jornal O Globo apontar que a estatal estuda investir na Raízen, e analisa diversas possibilidades, como se tornar sócia da companhia ou comprar ativos, o que marcaria sua volta ao setor de etanol.

‘Pelo exposto, as informações divulgadas na matéria não procedem e, portanto, não caracterizam Fato Relevante’, disse a Petrobras no comunicado.

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