Lucro trimestral da Petrobras é o maior do mundo entre grandes petroleiras

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Resultado em dólares supera o de gigantes como Shell e ExxonMobil. Brasil encerrou 2025 com quase 700 mil pessoas empregadas no setor, número que retoma o patamar recorde de 2010

 Jornal O Globo 

Aumento da produção do pré-sal, real valorizado e alto preço do barril após guerra no Irã levaram a estatal a liderar o ranking global de lucros no primeiro trimestre, com US$ 6,2 bilhões. A Petrobras foi a empresa que mais lucrou no primeiro trimestre deste ano, em dólares, entre as grandes petroleiras do mundo, de acordo com levantamento da consultoria Elos Ayta. O aumento na produção, a desvalorização da moeda americana sobre o real e a alta nas cotações internacionais do petróleo fizeram a estatal registrar ganhos de US$ 6,2 bilhões entre janeiro e março, colocando a companhia na dianteira da lista. Em segundo lugar aparece a Shell, com US$ 5,6 bilhões, seguida da ExxonMobil, com US$ 4,1 bilhões.

O ranking considerou apenas as produtoras de óleo e gás com valor de mercado acima de US$ 50 bilhões. Segundo Einar Rivero, CEO da Elos Ayta, o lucro da Petrobras em dólar registrou alta de 3,7% na comparação anual e foi influenciado pela desvalorização do dólar, que passou de R$ 5,85 para R$ 5,26, na média entre o primeiro trimestre do ano passado e o início deste ano. Já em reais, por outro lado, o lucro caiu 7,2%, para R$ 32,6 bilhões.

– Como a conversão para dólares é realizada com uma taxa de câmbio mais baixa, cada real de lucro passou a corresponder a um valor maior em moeda americana. Assim, mesmo com recuo no lucro em reais, o resultado em dólares mostrou expansão -explica Rivero.

Além do câmbio, especialistas ressaltaram o aumento da produção no início deste ano, influenciado pela alta de 17,8% no pré-sal. Contribuiu ainda o fato de a companhia não ter operações no Oriente Médio, o que afetou os negócios de diversas empresas que atuam na região, como Shell, Exxon, Chevron e TotalEnergies. O avanço do preço do petróleo também ajudou a estatal brasileira a alcançar a liderança no ranking, avalia o CEO da Elos Ayta.

-O trimestre também foi marcado pelo aumento das tensões no Oriente Médio, após a escalada do conflito na região. O ranking foi influenciado por fatores operacionais, cambiais e conjunturais. Em 2025, a Exxon Mobil liderou a amostra, com lucro líquido de US$ 28,8 bilhões, enquanto a Petrobras

ficou na segunda posição, com US$ 20 bilhões -disse Rivero.

MAGDA COMEMORA

Ontem, em evento na Bahia sobre a retomada da produção de fertilizantes no estado, Magda Chambriard, presidente da estatal, comemorou o topo do ranking global e atrelou o lucro ao aumento da produção de petróleo e gás.

– Fomos a empresa mais lucrativa do planeta no primeiro trimestre. Não é pouca coisa. Nunca antes na História deste país. E como fizemos isso? Colocamos muita produção no tanque. Temos dois campos que superam a produção de mais de um milhão de barris por dia. Estamos entregando mais de 50 milhões de metros cúbicos por dia de gás. Há dois anos, eram 29 milhões -afirmou Magda.

Segundo o Caderno Abespetro 2026 -principal publicação da Associação Brasileira das Empresas de Bens e Serviços de Petróleo, lançada ontem -o Brasil encerrou o ano passado com quase 700 mil pessoas empregadas de forma direta e indireta no setor, númeroqueretomaopatamarde 2010, recorde histórico. Depois disso, porém, o setor entrou em declínio por conta da crise desencadeada após a revelação da Lava-Jato e da queda no preço do petróleo, que freou os investimentos.

DESAFIO DE MAIS RESERVAS

Apesar do aumento da produção, o setor precisa ampliar a recuperação de reservatórios e aumentar os investimentos previstos em novas fronteiras, como a Margem Equatorial, no litoral do Amapá ao Rio Grande do Norte, e a Bacia de Pelotas, no Rio Grande do Sul, avalia a Abespetro. Só assim o país vai conseguir elevar o volume de reservas provadas de petróleo dos atuais 17 bilhões para 23,5 bilhões de barris na próxima década.

A entidade, que representa fornecedores da indústria, estimaque,paraopaísalcançaro marco, serão necessários investimentos de ao menos US$ 30,6 bilhões por ano.

– O Brasil não realizou sequer uma perfuração de poços em áreas consideradas de nova fronteira entre 2018 e 2024. A Noruega perfurou 32 poços em novas fronteiras no período, enquanto Guiana e Suriname somaram 62 poços, e as regiões sul e oeste da África contabilizaram 28 poços – afirma Telmo Ghiorzi, presidente-executivo da Abespetro.

Para Ghiorzi, que criticou a tributação sobre a exportação de petróleo, há necessidade de o país manter os ciclos de leilões de novas áreas e melhorar a questão regulatória:

-Precisamos de mais empresas privadas no Brasil.

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