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Segundo Marcelo Lyra, a decisão final de investimento (FID) deve ser anunciada “nas próximas semanas”

A demora na publicação do decreto que vai regulamentar o mandato de uso de combustível sustentável de aviação (SAF) no Brasil não alterou os planos da Acelen para investir na produção do combustível na Bahia. 

A companhia segue avançando com o projeto de sua biorrefinaria ao lado da Refinaria de Mataripe, com expectativa de início de operação no começo de 2028 e contratos de longo prazo já assinados para grande parte da produção futura.

“Como estamos muito focados para exportação, isso de fato não tem muito impacto no nosso projeto especificamente”, afirmou a jornalistas, Marcelo Lyra, vice-presidente de Comunicação, ESG e Relações Institucionais da Acelen, durante o III Fórum de Biodiesel e Bioquerosene da Ubrabio, em São Paulo.

Segundo Lyra, a decisão final de investimento (FID) deve ser anunciada “nas próximas semanas”.

“Estamos na reta final, finalíssima de especificação de engenharia, de início de construção”, disse.

Lyra explica que a companhia já possui contratos de off-take firmados para boa parte da produção futura de SAF, voltados principalmente aos mercados dos Estados Unidos e da Europa.

A expectativa da empresa é produzir 1 bilhão de litros por ano de combustíveis renováveis — SAF e diesel verde (HVO) — em uma planta flexível, capaz de alternar a produção conforme a demanda.

“Nós já temos contrato de off-taker firmado em boa parte da produção. Só não posso revelar quem são, mas já temos”, disse.

A fala vem em meio à expectativa do mercado pela regulamentação do mandato brasileiro de SAF

A partir de janeiro de 2027, as companhias aéreas que operam no país deverão reduzir em 1% suas emissões de gases de efeito estufa por meio do uso de combustíveis sustentáveis de aviação, percentual que chegará a 10% em 2037, conforme estabelece a lei do Combustível do Futuro.

Decreto é importante para consolidar mercado

Apesar disso, ainda faltam definições sobre como as empresas poderão cumprir e comprovar as metas de descarbonização. 

Fontes do governo consultadas pela agência eixos afirmam que o decreto está em fase final de discussão na Casa Civil, enquanto agentes do setor pressionam para que as regras sejam publicadas ainda neste semestre, diante da proximidade do calendário eleitoral e da necessidade de dar previsibilidade aos investimentos.

Para Lyra, a regulamentação é importante não apenas para a Acelen, mas para consolidar um setor competitivo de SAF no país.

“É importante que a regulamentação ocorra trazendo também novos players, para que a gente tenha um setor com capacidade de produzir no Brasil de forma competitiva e se relacionar para fora com os reguladores globais também de forma relevante”, pontuou.

O executivo defendeu que o arcabouço regulatório preserve a competitividade brasileira no mercado internacional de combustíveis renováveis.

“A regulamentação da lei tem que estar atenta aos detalhes para que os detalhes produzam resultado positivo ao invés de gerar dificuldades de se produzir no Brasil”, disse.

Projeto na Bahia

biorrefinaria da Acelen deve demandar US$ 3 bilhões em investimentos e está na reta final da fase de engenharia e preparação para o início das obras. 

Inicialmente, a planta utilizará um blend de matérias-primas, incluindo óleo de soja, UCO (used cooking oil, ou óleo de cozinha usado) e gordura animal.

 A macaúba será incorporada gradualmente, à medida que a produção agrícola avance.

A Acelen pretende plantar 180 mil hectares de macaúba em áreas degradadas na Bahia e em Minas Gerais. Segundo a companhia, cerca de 20% da produção virá da agricultura familiar.

“Vai ser produzida na agricultura em 100% em terras degradadas. São 180 mil hectares de pastagens degradadas transformadas em florestas de macaúba”, disse Lyra.

A empresa aposta justamente no potencial de captura de carbono da macaúba para ampliar a competitividade do SAF brasileiro no mercado internacional, especialmente diante das exigências de certificação ambiental adotadas por Europa e Estados Unidos.

“A produção a partir da macaúba gera um sequestro de carbono muito significativo, então ela é premiada, vamos dizer assim, em relação ao crédito de carbono”, afirmou.

* O jornalista viajou a São Paulo para o III Fórum Biodiesel e Bioquerosene a convite e com despesas pagas pela Ubrabio.

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