Volkswagen vê espaço para vender carro movido só a etanol no Brasil 

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Em entrevista, CEO da montadora afirmou que opção “pode ser interessante” para o cliente; marca também prepara híbridos flex e novos elétricos para o país

 Estadão Online 

Volkswagen começa a mostrar como pretende responder à nova fase da eletrificação no Brasil. Ciro Possobom, CEO da montadora, afirmou que a empresa vê espaço para diferentes soluções no mercado, inclusive pela possibilidade de modelos movidos exclusivamente a etanol.

Em entrevista, o executivo foi questionado sobre o avanço de algumas fabricantes em versões abastecidas apenas com etanol. De acordo com Possobom, a solução pode fazer sentido “se tiver alguma vantagem ao cliente”. Ele ainda defendeu o combustível renovável como uma alternativa relevante para o país.

“Eu acho que pode ser interessante, depende da proposta. Pode ser interessante para o cliente. Por que não? O etanol é um combustível do futuro”, afirmou Possobom ao site Automotive Business.

A fala mostra que a Volkswagen não deve restringir sua estratégia brasileira apenas aos carros híbridos e elétricos. A marca, das pioneiras na tecnologia flex no Brasil em parceria com a Bosch, ainda vê no etanol uma solução competitiva dentro da realidade local.

Híbridos flex serão prioridade

Possobom reforçou que, a partir de 2026, todo veículo desenvolvido pela Volkswagen no Brasil terá algum tipo de eletrificação. Isso não significa, porém, que todos terão o mesmo sistema. A estratégia será definida de acordo com o posicionamento de cada produto.

O executivo citou híbridos leves, híbridos plenos e híbridos plug-in como possibilidades dentro do portfólio. Segundo Possobom, o tipo de sistema dependerá do preço do carro e do perfil de uso do consumidor.

O CEO da Volkswagen usou o Tera como exemplo. Para ele, não faria sentido aplicar um sistema híbrido plug-in em um SUV de entrada, pois isso elevaria muito o preço final. O executivo citou que um carro na faixa de R$ 120 mil poderia saltar para algo próximo de R$ 170 mil com uma tecnologia desse tipo.

Em resumo, isso indica que modelos de entrada devem receber soluções mais simples e baratas, como sistemas híbridos leves. Já produtos maiores e mais caros adotarão tecnologias mais sofisticadas, como híbridos plenos ou plug-in.

O caminho mais provável para a Volkswagen no Brasil é uma eletrificação gradual, com foco inicial em soluções híbridas flex. A própria marca já trabalha na nova plataforma MQB37 HEV, que será usada em futuros modelos nacionais eletrificados.

Novos BEVs no radar da Volkswagen

Apesar da defesa do etanol e dos híbridos flex, a Volkswagen também prepara novidades entre os carros 100% elétricos. Possobom lembrou que a marca já vende no Brasil o ID.4 e o ID. Buzz, mas afirmou que “muito mais coisas” estão a caminho.

A chegada de novos BEVs ao Brasil, porém, ainda depende de fatores como preço, câmbio, escala e infraestrutura de recarga. Possobom destacou que o País ainda tem uma deficiência grande nesse ponto, o que reforça a aposta da Volkswagen em híbridos flex como uma solução mais adequada para o consumidor brasileiro no momento.

Outro ponto tratado pelo CEO foi a localização de componentes eletrificados. Segundo Possobom, a produção local depende principalmente de escala. E no caso dos veículos eletrificados o maior desafio é a bateria.

O executivo afirmou que produzir células de bateria é um processo complexo e que, no curto prazo, uma alternativa mais plausível seria importar as células e montar o conjunto no Brasil. Mesmo assim, isso só faria sentido com volume suficiente para garantir competitividade.

Estratégia para segurar as chinesas

A estratégia da Volkswagen também ocorre em meio ao avanço das marcas chinesas no Brasil. Possobom admitiu que a velocidade da ascensão das fabricantes do país asiático surpreendeu as montadoras tradicionais, especialmente pela combinação entre eletrificação, custo competitivo e rapidez de desenvolvimento.

Ainda assim, o executivo defendeu que a Volkswagen tem força de marca, rede, escala industrial e histórico local para competir. Na entrevista, lembrou que a fabricante de origem alemã tem 73 anos de operação no Brasil, índice de localização de 85% e mais de 850 fornecedores diretos.

A marca também vive um momento de crescimento comercial. Segundo Possobom, a Volkswagen praticamente dobrou suas vendas desde 2023 e tem a ambição de superar a marca de 500 mil veículos vendidos na região em 2026.

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