Presidente do Sindicombustíveis defende união e maior participação da classe produtiva nas decisões do país

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16/09/2026
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No episódio 109 do podcast É da Nossa Conta!, Glauco Mendes destacou a interiorização do sindicato e a necessidade de aproximar os revendedores; Paulo Cavalcanti defendeu associativismo e consciência da força do setor produtivo

Paulo Cavalcanti e Glauco Mendes | Foto: Nelson Santiago
Paulo Cavalcanti e Glauco Mendes | Foto: Nelson Santiago

A união dos empresários e o fortalecimento das entidades representativas foram o centro do episódio 109 do podcast É da Nossa Conta!, que recebeu Glauco Mendes, presidente do Sindicombustíveis Bahia, nesta segunda-feira, 14 de setembro. Em conversa com Paulo Cavalcanti, ele apresentou o trabalho de interiorização do sindicato e discutiu os desafios enfrentados pela revenda de combustíveis, a participação dos empresários nas decisões públicas e a importância do associativismo.

Primeiro presidente do Sindicombustíveis oriundo da revenda do interior da Bahia, Glauco atua no setor desde 2008. Advogado, mestre e doutorando em Direito, ele explicou que aproximar o sindicato dos empresários que atuam longe de Salvador tornou-se uma das prioridades de sua gestão.

“O principal deles é interiorizar o sindicato, ou seja, levar a entidade à revenda do interior, o que era uma grande reclamação de anos”, afirmou. Segundo Glauco, o projeto já passou por cidades-polo como Alagoinhas, Guanambi e Vitória da Conquista e deve chegar agora ao extremo sul do estado. A Bahia possui cerca de 3,6 mil postos de combustíveis, dos quais aproximadamente mil estão associados à entidade.

Para o dirigente, ampliar essa participação significa também aumentar a capacidade de representação do setor. “Quanto mais pessoas vierem aderir ao sindicato, mais fortes nos tornamos para defender nossas bandeiras”, destacou.

Confira o episódio
https://www.youtube.com/embed/5bmiwXwQNKA?si=YYIBnPOjGVvYU26P

Associativismo como instrumento de representação

Paulo Cavalcanti relacionou a experiência do Sindicombustíveis à necessidade de maior aproximação entre diferentes entidades empresariais. Para ele, comércio, serviços, indústria, agronegócio e demais segmentos precisam reconhecer a força que possuem quando atuam de maneira convergente.

Durante a conversa, Glauco informou que a cadeia energética responde atualmente por 25% a 30% da arrecadação de ICMS na Bahia. A partir do dado apresentado pelo convidado, Paulo defendeu que a relevância econômica dos setores produtivos seja acompanhada por maior organização e participação nos debates que interferem diretamente nas empresas.

“Nós precisamos saber a força que temos e que não estamos usando ao ficar restritos apenas ao sindicato. Nós fazemos todo esse trabalho e estou percorrendo o interior demonstrando que precisamos estar cada vez mais unidos para ficarmos mais fortes”, afirmou Glauco.

O presidente do Sindicombustíveis ressaltou que a interiorização também procura alcançar pequenos empresários que, pela distância da capital, muitas vezes se sentem pouco representados. A entidade possui diretores regionais e uma estrutura voltada à aproximação com diferentes regiões da Bahia.

Desafios da revenda

A conversa abordou ainda questões que afetam diretamente os postos de combustíveis, como custos operacionais, tributação, mudanças nas relações de trabalho, automação e transição energética.

Ao comentar possíveis mudanças na jornada de trabalho, Glauco defendeu que os impactos sejam analisados de acordo com as características de cada atividade econômica. “Não somos contra, mas precisamos estudar mais”, afirmou, argumentando que eventuais aumentos de custos podem chegar ao consumidor final.

O dirigente também chamou atenção para as transformações tecnológicas vividas pelo setor. Segundo ele, postos já começam a instalar carregadores para veículos elétricos e a revenda de combustíveis atravessa não uma crise, mas uma “transição de matriz energética”, que deverá produzir mudanças nas atividades e nas formas de atendimento.

Glauco destacou ainda a posição dos postos como último elo da cadeia de combustíveis e, portanto, aquele que mantém contato direto com o consumidor. Essa condição, segundo ele, faz com que o revendedor muitas vezes seja responsabilizado pela elevação dos preços, apesar de receber o produto das distribuidoras com diferentes componentes do preço e tributos já incorporados.

Setores que não podem atuar como ilhas

Um dos pontos centrais da entrevista foi a defesa do associativismo como instrumento de fortalecimento das empresas. Para Glauco, participar de uma entidade empresarial não concorre com a administração cotidiana dos negócios.

“O associativismo não compete com a atividade empresarial; pelo contrário, fortalece os negócios através de networking, troca de conhecimentos e defesa de pautas comuns. Os setores não podem atuar como ilhas isoladas, pois todos estamos no mesmo território”, afirmou.

Paulo Cavalcanti ampliou a discussão para a participação da classe produtiva na democracia, defendendo uma mudança cultural capaz de transformar a força econômica dos empresários em maior presença nos debates públicos e nas decisões que afetam produção, emprego e desenvolvimento.

Ao final, Glauco voltou ao ponto que atravessou toda a conversa: aproximar os empresários e fortalecer sua representação coletiva.

“O principal pilar da nossa gestão é aproximar a revenda de combustíveis em todo o estado da Bahia. Precisamos estar unidos para transformar o sindicato em uma voz forte na defesa dos nossos objetivos”, resumiu. 

O É da Nossa Conta! vai ao ar toda segunda-feira, às 19 horas, abordando temas relacionados à consciência cidadã, participação social, associativismo e desenvolvimento, reunindo convidados de diferentes áreas para discutir questões que interferem na vida pública e na atividade produtiva.

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